Máfia chinesa é acusada de matar gerente de loja
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quarta-feira, 17 de setembro de 1997
Foz do Iguaçu 
A Polícia Civil de Foz do Iguaçu encontrou ontem à tarde o corpo do taiwanês Haymond Tsai, de 29 anos, morto por integrantes da máfia chinesa que age na fronteira entre Brasil e Paraguai. Ele foi morto em seu apartamento, no 10º andar do Edifício Grand Prix, região central da cidade, com mais de 30 facadas.
Tsai era gerente de uma loja de informática no centro de Ciudad del Este, no Paraguai, e há mais de um mês vinha recebendo ameaças da máfia chinesa. Segundo o delegado Roberto Fernandes, responsável pela investigação do caso, as quatro cruzes feitas com uma navalha no rosto do chinês - na testa, no queixo e nas bochechas - são os sinais de que os autores do assassinato são integrantes da máfia. Não é possível que uma morte com requintes de violência como essa não tenha chamado a atenção de vizinhos, disse o delegado.
A polícia levantou que o taiwanês estava há quatro meses morando no Brasil, apesar do seu passaporte constar data de entrada no País apenas no início de setembro. Segundo o delegado, apesar do corpo ter sido encontrado ontem à tarde, ele já estava morto há mais de 24 horas.
Os soldados da máfia levaram apenas um computador que estava na sala do apartamento e a caminhonete Mitsubishi modelo Space Wagon de placas J295202, de Ciudad del Este, que estava em nome da loja. A polícia informou que não vai divulgar o nome do estabelecimento em que Tsai trabalhava para evitar novas vítimas.
Uma equipe de policiais civis da 6ª Subdivisão Policial já se deslocou para Ciudad del Este para tentar cruzar dados com a Polícia Nacional do Paraguai. A máfia chinesa é uma das organizações criminosas mais temidas e violetas do mundo e, segundo a polícia paraguaia, movimenta US$ 9 milhões por mês.
O chefe de Gabinete, Planejamento e Relações Públicas da Polícia Nacional, Antônio Ibarra Colmán, disse à Folha que dois oficiais do Serviço de Inteligência Chinesa estão infiltrados entre os comerciantes de Ciudad del Este para investigar a atuação da máfia.
Os soldados da máfia são apontados como autores de pelo seis assassinatos na fronteira, além de ter promovido sequestro e ter deixado um chinês tertaplégico.


