Mães têm dificuldade para matricular filhos
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domingo, 28 de janeiro de 2007
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Moradora do Assentamento Nossa Senhora Aparecida, nas proximidades do Jardim São Jorge (Zona Norte de Londrina), a dona de casa Rosimeire Araújo, 39 anos, enfrentou uma verdadeira peregrinação até matricular as filhas numa escola estadual da região. As vagas para as meninas de 12 e 14 anos só foram garantidas depois da intervenção do Conselho Tutelar. Mesmo assim, as jovens terão de caminhar mais de quatro quilômetros diariamente para estudar.
Rosimeire tentou matricular as filhas em quatro escolas. O procedimento nas instituições de ensino foi sempre o mesmo: o nome das postulantes iria para um cadastro e haveria um chamado quando surgisse vaga. O problema era que a convocação nunca chegava. A situação, aliás, só se resolveu depois que o conselheiro tutelar Idalto José de Almeida acompanhou a dona de casa até o Colégio Estadual Lúcia Barros Lisboa, no Conjunto Vivi Xavier (Zona Norte).
''Se não conseguisse vaga, eu ia deixar as meninas fora da escola. Não dava para fazer nada. Acho que foi por preconceito que não conseguia as vagas, pelo menos em uma escola, não sei se por causa da cor ou do lugar onde eu moro'', afirma Rosimeire. Uma secretária, segundo ela, disse que a distância da escola não era grande e que as meninas deveriam ir pedalando para a aula. ''Como se eu tivesse condições de comprar uma bicicleta'', acrescenta a dona de casa.
O grande número de casos semelhantes motivou a Promotoria da Vara da Infância e da Juventude de Londrina a organizar uma sistematização para resolver o problema. Nove casos chegaram ao conhecimento da promotora Édina Maria Silva de Paula. Ela própria acredita que a quantidade de prejudicados é muito maior.
''Apenas uma minoria sabe reclamar seus direitos. Por isso, os conselheiros tutelares deverão sistematizar os casos. Então, vou requisitar as vagas e o Estado é obrigado por lei a matricular os alunos'', aponta.
O conselheiro Idalto Almeida questionou os critérios das escolas para definir quem fica com as vagas. ''Os nomes vão para uma lista. Sabe-se lá como eles definem as matrículas, se não há algum preconceito, como no caso da Rosimeire, que mora em assentamento'', alfineta.


