Mães sofrem
esperando e
rezando
Do lado de fora dos prédios onde os candidatos prestam o vestibular, uma legião de mães, pais, irmãos, namorados e amigos costumam esperar, aflitos, a saída dos vestibulandos. Para quem vai prestar a prova, a presença de alguém é sempre um incentivo a mais, mas quem fica do lado de fora tem que achar algum meio de passar o tempo e o nervosismo. Este ano a espera é ainda maior, já que as portas só estão sendo abertas para a saída dos alunos depois das 11h30min.
Em frente do prédio da Administração do Centro Politécnico, três mães dividiam o mesmo banco, enquanto conversavam, liam e comentavam as esperanças de que seus filhos passassem no vestibular. Teresinha Lisboa, Helena da Rocha e Lurdes Claudino são mães de três candidatas deficientes, que estão fazendo provas em local especial. A filha de Teresinha, Kátia, é deficiente visual, tem 18 anos e está tentando Ciências Contábeis. ‘‘Eu estou nervosa, espero que ela passe mas ela nem fez cursinho’’, dizia, lembrando que é a segunda vez que passa por isto. Da primeira vez foi com a filha Beatriz, que está no segundo ano de Artes Cênicas. A filha de Helena, Jocilene da Rocha, 18 anos, também é deficiente visual. ‘‘Ela acha que está preparada. Estava nervosa, mas disse que não achou o vestibular aquele bicho que todo mundo fala’’, dizia Helena.
Ao lado, Lurdes dividia com outra filha, Kátia, que já está formada em Farmácia, a angústia da espera. ‘‘Eu trouxe revista e estou lendo os Salmos da Bíblia’’, disse ela, cuja filha, Priscila Claudino, de 19 anos, é paraplégica e tenta vestibular para Psicologia. (M.G)

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