‘Mães sociais’ precisam ter vocação
Maria do Socorro de Moraes, 44, é uma das ‘‘mães sociais’’ que trabalha há mais tempo na Aldeia SOS de Goioerê. A casa dela foi inaugurada no dia 25 de março de 1979 e ela nunca mais saiu de lá. Desde então, já criou 19 ‘‘filhos’’, sendo que cinco deles estão casados e lhe deram nove ‘‘netos’’. Atualmente, a mãe social cuida de mais oito crianças entre 4 e 13 anos de idade. Solteira, Socorro conta que é ‘‘casada com a aldeia’’.
‘‘Se pudesse, começaria tudo de novo’’, diz. Socorro chegou a frequentar um convento quando tinha 18 anos, mas percebeu que não tinha vocação para se tornar freira. Dois anos depois, se interessou pela maquete da Aldeia SOS de Goioerê, que estava em exposição na paróquia do padre Luigi Depaoli. Ela gostou da idéia e não resistiu em conversar com o padre. Pouco tempo depois, já estava fazendo estágio em Porto Alegre.
‘‘Estou na aldeia antes mesmo dela existir’’, conta Socorro com orgulho. ‘‘Daqui eu não saio mais’’. Nas 11 casas da aldeia as mães sociais são responsáveis pelas crianças e pelo orçamento doméstico. Cada casa tem direito a uma verba mensal que é administrada pela ‘‘mãe’’. O dinheiro tem que cobrir todas as despesas e ainda sobrar para uma poupança usada em casos de emergência.
A ex-metalúrgica Maria Andreola, 38, é uma das mães sociais mais novas da Aldeia. Há três anos no local, ela é responsável hoje por 10 crianças entre 2 e 15 anos. ‘‘Foi uma mudança radical em minha vida’’, conta.
Amigo Campanha lançada recentemente pelas aldeias SOS de todo o País pretende conseguir um milhão de novos ‘‘amigos’’ da instituição. Ser amigo da aldeia significa passar a contribuir financeiramente com a entidade, regularmente ou não. Quem quiser aderir à campanha deve ligar para 0800 16 06 33.
Tão difícil quando manter a entidade é conseguir novas mães sociais. ‘‘Trata-se de uma função que exige muita vocação’’, frisa o dirigente da aldeia José Rodrigues Gonçalves. Por isso mesmo, constantemente existem vagas. Em todo o País, são 40 as vagas abertas. Em Goioerê, são cinco. As candidatas a ‘‘mães’’ passam por uma avaliação rigorosa, além de preencher requisitos, como ter mais de 25 anos, ser solteira, viúva ou divorciada e não ter filhos menores de 18 anos.
Além disso, elas precisam ter uma grande vocação materna para cuidar de até nove crianças de uma vez, ter primeiro grau completo, boa saúde, religiosidade e poder morar em uma das aldeias SOS e dedicar-se às crianças em tempo integral. A profissão é regulamentada e paga cerca de quatro salários mínimos mensais. ‘‘Mas quem vem pelo salário não fica’’, avisa logo Gonçalves. ‘‘É preciso vocação e dedicação’’. Atualmente, cerca de 3.100 crianças são atendidas pelas 15 unidades da Aldeia SOS Brasil em 10 estados do País. A sede mundial continua na Áustria e o presidente, Helmut Kutin, é um dos órfãos atendidos pela primeira aldeia, criada em 1949. (S.S.)

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