Mães são 'braços e pernas' dos filhos
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terça-feira, 01 de outubro de 2019
Vitor Ogawa - Grupo Folha 

Além de conduzir os filhos com deficiência, os pais lutam para que a população em geral tenha mais empatia. “Tem que ter empatia. O que gostaria que fosse feito para mim? É preciso mudar a cultura do país e do mundo para algo mais inclusivo”, aponta a administradora de empresas Michelle Berbert Santos, mãe de Valentina, uma criança de seis anos que possui paralisia cerebral. Ela é integrante da Afel (Associação das Famílias Especiais de Londrina). “Minha filha é cadeirante e sou os braços e as pernas dela. Eu a levo a todos os lugares imagináveis, desde passeios até shows. Tento fazer com que ela leve uma vida mais próxima do normal”, destaca.
Ela afirma que percebe diferenças no comportamento dos outros quando elas chegam. “O sentimento de pertencimento é muito importante. Existem diversos olhares, mas o que mais me incomoda é o olhar discriminatório. Isso afeta muito a gente”, destaca.
Santos explica que a Afel possui o projeto “Sentindo na Pele”, que faz com que as pessoas passem pela situação de uma pessoa com deficiência visual ou de um cadeirante. “Isso muda o mundo delas e das pessoas com as quais convivem. Quando a pessoa não aceita acolher uma pessoa diferente e não aceita a diversidade, quem é limitado é essa pessoa e não a pessoa com deficiência”, afirma.
A arquiteta Ana Flávia Alves , outra integrante da Afel, é mãe da Helena, de cinco anos de idade, que possui paralisia cerebral. “Eu faço aulas de balé com ela. Sou o auxílio das pernas dela nas aulas, já que ela utiliza cadeira de rodas. Encontrei uma escola que topou esse desafio”, ressalta. Ela afirma que sempre pergunta se a filha gosta da ajuda da mãe e ela responde que sim. “Helena é uma criança não verbal. Responde com sim, não ou apontando figuras. Quando ela chega na aula, ela pede para que eu me vista igual a ela, porque tem o entendimento de que sozinha não vai conseguir”, descreve.
Alves acha importante dar visibilidade às pessoas com deficiência. “Felizmente as barreiras têm diminuído. Hoje podemos ir ao restaurante e tem rampa para cadeirantes, o cardápio é em braille e o banheiro é adaptado. Tudo isso propicia que as pessoas saiam mais de suas casas”, destaca. “Ainda está longe de ser o ideal, mas estamos conseguindo ser uma sociedade mais inclusiva”, ressalta ela, informando que está fazendo curso de Libras (Língua Brasileira de Sinais), mesmo não tendo nenhum surdo em sua família. “Gostaria de falar o básico com alguém que não consegue me ouvir. Se quero fazer um mundo mais inclusivo para todos, eu também preciso fazer a minha parte”, destaca.


