Os procedimentos burocráticos exigidos para atendimento de emergências no Hospital Infantil (HI) causaram indignação nas irmãs Karen e Alessandra Grigoli, que em duas ocasiões, em menos de um ano, tiveram que ''perder tempo'' preenchendo fichas enquanto as filhas aguardavam por atendimento. O último episódio aconteceu na sexta-feira à tarde, quando a filha de seis meses de Karen foi vítima de uma reação alérgica e chegou desfalecida ao hospital.
''Quando eu liguei para o pediatra falando que a nenê tinha piorado, ele recomendou que eu a levasse o mais rápido possível para o serviço de emergência do hospital. Foi o que eu fiz, mas ao chegar lá tive que esperar cerca de 15 minutos, preenchendo ficha. Cheguei a propor que eu fosse entrando com a minha filha, enquanto minha irmã ficaria ali passando todos os dados para ele (o atendente), mas não teve jeito'', relatou Karen. Na sua opinião, as pessoas que atendem no hospital deveriam ser melhor preparadas para atender as famílias que naquele momento estão com os nervos à flor da pele e preocupadas com os riscos que a criança está correndo.
Karen não tem reclamações quanto ao atendimento médico da instituição. ''Depois que passamos pela recepção o atendimento é ótimo. Acho até que as pessoas que trabalham lá dentro não têm idéia do que acontece lá fora. Se a minha filha tivesse tido uma convulsão, corria o risco de morrer pela demora no atendimento. E aquela pessoa que está ali não tem condições de avaliar a gravidade do caso. Por sorte, no nosso caso, tudo acabou bem'', argumentou.
Alessandra contou que passou por situação semelhante, meses atrás. A filha de três anos tomou um vidro de remédio e, segundo ela, a recomendação do médico era que fosse atendida com urgência para uma lavagem intestinal, antes que o medicamento entrasse na corrente sanguínea. Mas, segundo ela, minutos preciosos foram desperdiçados com o preenchimento de ficha. ''Quando eu estava lá chegou uma outra mãe com o filho nos braços, tendo convulsão, e o mesmo atendente disse que ela teria que esperar porque a minha filha estava na frente. Fui eu que, vendo que o caso dela era ainda mais urgente, falei para que ele a atendesse antes.''
A Irmandade Santa Casa de Londrina (Iscal), que administra o Hospital Infantil, informou através da assessoria de imprensa que enquanto Karen preenchia a ficha, foi chamada uma funcionária do setor de enfermagem para avaliar a criança. A enfermeira teria avaliado que o caso não era urgente e que a criança poderia esperar enquanto o médico terminava outro atendimento. A demora, portanto, não teria sido por causa do preenchimento da ficha.

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