As mães dos alunos de centros municipais de educação infantil e de escolas entrevistadas pela reportagem reclamaram da decisão de adiar em duas semanas o início do ano letivo, anunciado ontem de manhã perla Secretaria de Educação. Elas justificam que trabalham longe de suas casas e já haviam se programado para deixar os filhos nas creches e escolas já no início do mês de fevereiro.
Anderlene Pereira, de 32 anos, é mãe de Maria Eduarda, de 3 anos, e de Lorena, de 5 meses, que estão matriculadas no CMEI Malvina Poppi Pedrialli, na Vila da Fraternidade, zona leste. Ela conta que trabalha como zeladora terceirizada em um órgão público municipal e recebe um salário de R$ 600.
Segundo ela, com o adiamento do início das atividades escolares, terá que desembolsar mais R$ 100 para pagar uma babá para cuidar dos filhos enquanto trabalha. "Vai me afetar financeiramente, já que as pessoas não cuidam das crianças de graça. O meu dinheiro só dará para pagar o aluguel e a babá", reclamou. Ela entendeu que o fato do serviço das merendeiras não ter sido contratado obrigou o adiamento do início das aulas, mas ressaltou que sua situação ficou muito difícil.
Reclamação semelhante a de Sônia dos Santos, de 31 anos, mãe de Gabriel, de 9 meses. Ela afirmou que não tem condições de pagar por uma babá e por isso fica cuidando do bebê. "Isso adiou os meus planos de procurar um emprego. Eu matriculei o meu filho antes dele nascer para poder garantir a vaga dele´´, explicou. Ela apontou que o problema foi a falta de planejamento da administração passada. "Eu estou procurando vaga como auxiliar de serviços gerais, mas agora terei de esperar um pouco", criticou.
Para as babás, a situação pode representar um serviço extra, mas há quem não possa mais oferecer os serviços. A jovem Liliana Alencar, de 28 anos, é estudante do 2º ano do Ensino Médio e relatou que voltará a estudar antes do início das atividades da creche em que a criança que cuida está matriculada. "Eu não terei como ficar com ele durante o dia. Ainda vou conversar com a mãe da criança para explicar isso", expôs.

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