Cerca de 20 mães de pacientes protestaram ontem de manhã no Centro de Atendimento Especializado aos Portadores de Lesões Labiopalatais de Londrina, o Centrinho, contra o encerramento das atividades da entidade. As mães foram dar apoio aos poucos funcionários que ainda se encontram na sede, colocando tudo em ordem para a mudança que deve ocorrer ainda esta semana.
Segundo as mães, o protesto foi uma forma de chamar a atenção da comunidade para o fechamento da entidade, a única especializada no atendimento a fissurados labiopalatais carentes da região Norte. Segundo elas, embora sabendo das dificuldades financeiras que o Centrinho vem enfrentando há tempo, não acreditavam que chegasse a este ponto. ‘‘Alguém tem que tomar providências. Isto aqui é a vida para nossos filhos’’, suplicou a diarista Eliete Elen Rodrigues de Sene, 30 anos.
Para Sandra Dutra Marques, 25 anos, residente em Cambé, o fechamento da entidade vai prejudicar muito o tratamento do filho Afonso, 2 anos. ‘‘Depois de três cirurgias, agora meu filho está começando a falar e ainda com muita dificuldade. Como vou pagar um tratamento caro, já que o SUS (Sistema Único de Saúde) não paga? Além disso, como vou levá-lo todo mês para Bauru?’’, questionou. Segundo Sandra, o menino tem outros problemas de saúde além da fissura labiopalatal e por isso ela não pode trabalhar. O marido, motorista autônomo, recebe cerca de R$ 400,00 por mês.
Situação dramática também vive Eliene Pereira da Silva, 29 anos, solteira. Com quatro filhos para criar, um deles com paralisia cerebral e uma menina fissurada, ela sobrevive com R$ 236,00 que recebe de pensão do pai das crianças. ‘‘Eu sinceramente não sei o que vou fazer. O atendimento fora daqui é muito caro. O Centrinho não pode fechar, é a única opção de tratamento para nossos filhos.’’
Sabrina de Almeida Vieira, 21 anos, frequenta o Centrinho desde que estava grávida do único filho – que agora tem três anos e meio – e soube, através da ultrasonografia, que ele teria problemas. Agora, porém, diz que vai ter que parar com o tratamento do garoto. ‘‘Ele já fez três cirurgias e precisa de mais algumas, além de todo o acompanhamento. Mas eu não tenho condições de arcar com a despesa.’’
Segundo a diretora técnica da entidade, Benedita de Oliveira Moraes, apesar do Centrinho estar fechado, voluntários continuarão tentando ajudar os cerca de 500 pacientes cadastrados – entre crianças, adolescentes e adultos – de 55 municípios da região. ‘‘A maioria são pessoas carentes que depende deste atendimento aqui. Então estamos procurando alternativas para que isto não pare’’, afirmou. Segundo ela, já está agendada uma reunião com o reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Jackson Proença Testa, para tentar conseguir que o tratamento odontológico seja feito pela universidade. A diretora informou também que clubes de serviço, empresários e particulares estão acenando com possíveis ajuda. ‘‘Quem sabe nosso fechamento seja temporário?’’, disse.
Segundo ela, a Secretaria de Ação Social garantiu a continuação do fornecimento de passes de ônibus para os pacientes – que haviam sido suspensos mediante a notícia do fechamento – e a 17ª Regional de Saúde também vai continuar fornecendo as passagens para os pacientes que tiverem agendadas cirurgias e avaliações no Hospital de Reabilitação das Anomalias Crânio-Faciais de Bauru (SP).
Os pais de pacientes foram comunicados oficialmente da decisão de fechamento do Centrinho na tarde de sábado. A Associação dos Fissurados de Londrina (Afilon), mantenedora da entidade, alegou dificuldades financeiras. O Centrinho tem uma dívida de cerca de R$ 200 mil com o Tribunal de Contas e o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), que tiveram origem em administrações anteriores. Além disso, enfrenta também problemas com atrasos nos salários de funcionários e nas contas de água, telefone e aluguel.

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