Mães protestam contra fechamento do Centrinho
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terça-feira, 29 de fevereiro de 2000
Telma Elorza <br> De Londrina 
Cerca de 20 mães de pacientes protestaram ontem de manhã no Centro de Atendimento Especializado aos Portadores de Lesões Labiopalatais de Londrina, o Centrinho, contra o encerramento das atividades da entidade. As mães foram dar apoio aos poucos funcionários que ainda se encontram na sede, colocando tudo em ordem para a mudança que deve ocorrer ainda esta semana.
Segundo as mães, o protesto foi uma forma de chamar a atenção da comunidade para o fechamento da entidade, a única especializada no atendimento a fissurados labiopalatais carentes da região Norte. Segundo elas, embora sabendo das dificuldades financeiras que o Centrinho vem enfrentando há tempo, não acreditavam que chegasse a este ponto. Alguém tem que tomar providências. Isto aqui é a vida para nossos filhos, suplicou a diarista Eliete Elen Rodrigues de Sene, 30 anos.
Para Sandra Dutra Marques, 25 anos, residente em Cambé, o fechamento da entidade vai prejudicar muito o tratamento do filho Afonso, 2 anos. Depois de três cirurgias, agora meu filho está começando a falar e ainda com muita dificuldade. Como vou pagar um tratamento caro, já que o SUS (Sistema Único de Saúde) não paga? Além disso, como vou levá-lo todo mês para Bauru?, questionou. Segundo Sandra, o menino tem outros problemas de saúde além da fissura labiopalatal e por isso ela não pode trabalhar. O marido, motorista autônomo, recebe cerca de R$ 400,00 por mês.
Situação dramática também vive Eliene Pereira da Silva, 29 anos, solteira. Com quatro filhos para criar, um deles com paralisia cerebral e uma menina fissurada, ela sobrevive com R$ 236,00 que recebe de pensão do pai das crianças. Eu sinceramente não sei o que vou fazer. O atendimento fora daqui é muito caro. O Centrinho não pode fechar, é a única opção de tratamento para nossos filhos.
Sabrina de Almeida Vieira, 21 anos, frequenta o Centrinho desde que estava grávida do único filho que agora tem três anos e meio e soube, através da ultrasonografia, que ele teria problemas. Agora, porém, diz que vai ter que parar com o tratamento do garoto. Ele já fez três cirurgias e precisa de mais algumas, além de todo o acompanhamento. Mas eu não tenho condições de arcar com a despesa.
Segundo a diretora técnica da entidade, Benedita de Oliveira Moraes, apesar do Centrinho estar fechado, voluntários continuarão tentando ajudar os cerca de 500 pacientes cadastrados entre crianças, adolescentes e adultos de 55 municípios da região. A maioria são pessoas carentes que depende deste atendimento aqui. Então estamos procurando alternativas para que isto não pare, afirmou. Segundo ela, já está agendada uma reunião com o reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Jackson Proença Testa, para tentar conseguir que o tratamento odontológico seja feito pela universidade. A diretora informou também que clubes de serviço, empresários e particulares estão acenando com possíveis ajuda. Quem sabe nosso fechamento seja temporário?, disse.
Segundo ela, a Secretaria de Ação Social garantiu a continuação do fornecimento de passes de ônibus para os pacientes que haviam sido suspensos mediante a notícia do fechamento e a 17ª Regional de Saúde também vai continuar fornecendo as passagens para os pacientes que tiverem agendadas cirurgias e avaliações no Hospital de Reabilitação das Anomalias Crânio-Faciais de Bauru (SP).
Os pais de pacientes foram comunicados oficialmente da decisão de fechamento do Centrinho na tarde de sábado. A Associação dos Fissurados de Londrina (Afilon), mantenedora da entidade, alegou dificuldades financeiras. O Centrinho tem uma dívida de cerca de R$ 200 mil com o Tribunal de Contas e o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), que tiveram origem em administrações anteriores. Além disso, enfrenta também problemas com atrasos nos salários de funcionários e nas contas de água, telefone e aluguel.


