Mães não detectam todos os perigos
Curitiba - As entrevistas realizadas pela organização Criança Segura com as famílias revelou que as mães se consideram "as grandes responsáveis" pela segurança de seus filhos e que ninguém é "capaz de desempenhar esse papel tão bem quanto elas". Mesmo assim, a pesquisa detectou um abismo entre o que elas consideram perigoso e o que realmente oferece risco aos pequenos.
O primeiro ponto diz respeito ao desconhecimento. As entrevistadas não faziam idéia de como os acidentes são as principais causas de morte infantil no Brasil. Somado a isso, a preocupação com a violência urbana é muito maior que com acidentes domésticos, sendo que estes causam mais vítimas. Em 2005, 7.395 crianças morreram por causas externas. Desse total, 79% foram vítimas de acidentes, enquanto 13% de violência.
Para as entrevistadas com filhos com idade entre 6 a 14 anos, ambientes externos são fonte de preocupação, principalmente por causa da violência. No entanto, os números mostram que, nesta faixa etária, 2.880 crianças foram parar no hospital por causa da violência, enquanto outros 103.236 menores foram hospitalizadas vítimas de acidentes.
O que mais preocupa as famílias nesta faixa etária, além da violência, são más influências, pedofilia, assaltos, brigas, balas perdidas, sequestros e envolvimento com drogas. Contudo, as principais causas de mortes em 2005 foram: afogamento (986 mortes), atropelamento (849), passageiro de veículo (409), queda (171), entre outros. O atropelamento foi o único perigo citado pelas mães expontaneamente e que se encaixa na categoria de acidentes.
Um ponto importante é abordado pelo o estudo: a preocupação quanto a prevenção de acidentes. As mães entrevistadas estão mais preocupadas em solucionar problemas depois que os acidentes acontecem que preveni-los. Segundo a pesquisa, os acidentes são vistos como fatalidades inevitáveis que, mesmo com os cuidados, não podem ser evitados. No entanto, a pesquisa da Criança Segura cita um relatório da Fundação das Nações Unidas Para a Infância (Unicef), publicado em 2001, que comprova uma diminuição em 50% de mortes de crianças menores de 15 anos em países que adotaram medidas preventivas contra acidentes. (T.A.)





