Imagine se, cada vez que um alimento fundamental faltasse na sua despensa, você tivesse que iniciar uma cruzada em busca de doadores, ao invés de simplesmente comprá-lo no mercado. Pois essa é uma rotina para mães de bebês alérgicos a certos tipos de leite e não é exclusividade de famílias carentes.
  Quando Luiz Felipe nasceu, há um ano e dois meses, a fisioterapeuta Crisley Barbosa Zambianco, 32 anos, achou que o fato de ter pouco leite para amamentá-lo não seria um grande problema. ‘‘Eu tinha condições de comprar outro tipo de alimento. Mesmo quando o médico diagnosticou que meu filho tinha alergia a leite eu perguntei ‘só isso?’. Mal sabia o que estava por vir’’, recorda. A criança apresentou forte rejeição a qualquer tipo de leite que não fosse humano, inclusive o de soja. Desde então, a família se desdobra para encontrar mães lactantes que doem leite.
  A busca que começou pela vizinhança se estendeu por toda Apucarana, cidade onde moram, e passou a abranger as cidades da região. Além de Crisley e do marido, o avô de Luiz Felipe colabora divulgando o pedido nas rádios locais e trazendo o leite adquirido para o banco do Hospital Universitário (HU) de Londrina, onde é pasteurizado.
  A luta de Crisley evidencia a importância das doações aos bancos de leite e a escassez de locais para recolhimento. Segundo a coordenadora do Banco de Leite do HU, Márcia Maria Benvenuto de Oliveira, existem apenas sete bancos em todo o Estado, que recebem contribuição dos postos de coleta instalados em cidades de menor porte. Na região atendida pelo banco do HU, cita Márcia, há apenas dois postos – em Cambé (13 km a oeste de Londrina) e Apucarana – e uma equipe de coleta em Rolândia (25 km a oeste de Londrina). A Maternidade Municipal de Londrina também recebe doações.
  ‘‘A implantação de um posto não é tão cara, mas implica contratar pelo menos um profissional, ter um espaço físico, um veículo, materiais esterilizados. É uma questão de conscientização: quando um município entende o quanto a coleta de leite materno traz de benefício, com redução na taxa de mortalidade, melhora da saúde das crianças, ele entende que vale a pena ter um posto’’, aponta a coordenadora.
  Ela ressalta que é importante prolongar ao máximo a ingestão de leite materno pela criança porque ‘‘ela não vem com um aviso na testa dizendo que é alérgica’’. ‘‘Se o bebê que nasce com esse problema toma outro tipo de leite ele tem diarréia, vômito, desidratação, perda de peso. Todo mundo pensa que é virose e, até confirmar o diagnóstico de alergia, já passou um bom tempo’’, esclarece. ‘‘Além disso, quanto mais tarde você introduz outros tipos de leite, menos chances a criança tem de desenvolver alergia.’’

SERVIÇO:

- Banco de Leite do HU Londrina – (43) 3371-2390

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