Mães lutam para alimentar bebês alérgicos a leite
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segunda-feira, 17 de abril de 2006
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Imagine se, cada vez que um alimento fundamental faltasse na sua despensa, você tivesse que iniciar uma cruzada em busca de doadores, ao invés de simplesmente comprá-lo no mercado. Pois essa é uma rotina para mães de bebês alérgicos a certos tipos de leite e não é exclusividade de famílias carentes.
Quando Luiz Felipe nasceu, há um ano e dois meses, a fisioterapeuta Crisley Barbosa Zambianco, 32 anos, achou que o fato de ter pouco leite para amamentá-lo não seria um grande problema. Eu tinha condições de comprar outro tipo de alimento. Mesmo quando o médico diagnosticou que meu filho tinha alergia a leite eu perguntei só isso?. Mal sabia o que estava por vir, recorda. A criança apresentou forte rejeição a qualquer tipo de leite que não fosse humano, inclusive o de soja. Desde então, a família se desdobra para encontrar mães lactantes que doem leite.
A busca que começou pela vizinhança se estendeu por toda Apucarana, cidade onde moram, e passou a abranger as cidades da região. Além de Crisley e do marido, o avô de Luiz Felipe colabora divulgando o pedido nas rádios locais e trazendo o leite adquirido para o banco do Hospital Universitário (HU) de Londrina, onde é pasteurizado.
A luta de Crisley evidencia a importância das doações aos bancos de leite e a escassez de locais para recolhimento. Segundo a coordenadora do Banco de Leite do HU, Márcia Maria Benvenuto de Oliveira, existem apenas sete bancos em todo o Estado, que recebem contribuição dos postos de coleta instalados em cidades de menor porte. Na região atendida pelo banco do HU, cita Márcia, há apenas dois postos em Cambé (13 km a oeste de Londrina) e Apucarana e uma equipe de coleta em Rolândia (25 km a oeste de Londrina). A Maternidade Municipal de Londrina também recebe doações.
A implantação de um posto não é tão cara, mas implica contratar pelo menos um profissional, ter um espaço físico, um veículo, materiais esterilizados. É uma questão de conscientização: quando um município entende o quanto a coleta de leite materno traz de benefício, com redução na taxa de mortalidade, melhora da saúde das crianças, ele entende que vale a pena ter um posto, aponta a coordenadora.
Ela ressalta que é importante prolongar ao máximo a ingestão de leite materno pela criança porque ela não vem com um aviso na testa dizendo que é alérgica. Se o bebê que nasce com esse problema toma outro tipo de leite ele tem diarréia, vômito, desidratação, perda de peso. Todo mundo pensa que é virose e, até confirmar o diagnóstico de alergia, já passou um bom tempo, esclarece. Além disso, quanto mais tarde você introduz outros tipos de leite, menos chances a criança tem de desenvolver alergia.
SERVIÇO:
- Banco de Leite do HU Londrina (43) 3371-2390


