Tamarana Para aliviar a dor, três mulheres de Tamarana (62 km ao sul de Londrina) vão lutar por justiça. A motivação é a preocupação de que o pesadelo pelo qual passaram se repita em outra família. As três esperam que 17 Regional de Sa© úde conclua uma investigação que apura a morte de duas crianças e um diagnóstico inadequado que quase custou a vida de outra no Hospital Municipal São Francisco, entre o final de março e meados de maio.
A dona-de-casa Dalva da Luz Gaspar, 45 anos, espera a apuração dos fatos sobre a morte de seu filho, caçula e temporão, João Vitor da Luz Domingos, de um ano e 35 dias de idade. A explicação que lhe deram no hospital ''foi uma fatalidade'' para a morte do menino, ainda lhe causa indignação. João Vitor ficou internado sob o diagnóstico de pneumonia por uma semana. Recebeu alta em uma manhã e na madrugada seguinte, em 31 de março, teria ''se afogado no berço'', segundo a mãe. No atestado de óbito, consta como causa da morte insuficiência respiratória.
A diarista Sueli Sobral Correia, 39 anos, vó adotiva de Jean Lima dos Santos, também não se conforma com a causa da morte do neto, classificada como ''desconhecida'' no documento. O bebê morreu dois dias antes de completar o primeiro aniversário. De acordo com a avó, ele foi tratado pelo médico como se tivesse uma gripe. Morreu 24 horas depois. ''Aceitamos até exumar o corpo dele para sabermos o que realmente aconteceu''.
Mais sorte teve a bóia-fria Lourdes Aparecida do Amaral, 26 anos. No dia 9 de maio, seu filho caiu em um balde cheio de água. Depois de ser salvo, Adrian Henrique Amaral, de 20 meses, foi levado ao hospital, onde foi medicado com um antitérmico e um xarope e liberado em seguida. Já em casa, começou a ter problemas respiratórios. Foi então encaminhado ao Hospital Universitário em Londrina onde foi internado entre a vida e a morte por cinco dias na Unidade de Terapia Intensiva. ''Só de pensar nisso, começo a chorar'', confessa a mãe. Adrian saiu da UTI e ficou mais 20 dias internado. ''Ele podia ter morrido. Isto não pode acontecer com mais ninguém''.
O clamor e a pressão das famílias não foram suficientes para que a Regional conseguisse encerrar as investigações em um mês, prazo limite estipulado para a conclusão. O Comitê de Avaliação da Mortalidade Infantil, composto por técnicos, médicos e uma enfermeira de Tamarana, está com ''um grande volume de trabalho'' e prorrogou o prazo para a elaboração do relatório final.
A diretora da Regional, Vânia Gutierrez, disse que espera que os trabalhos sejam concluídos ''o mais rápido possível''. Vânia não quis adiantar o que foi levantado até agora pela comissão, mas disse que os profissionais de saúde foram ouvidos ''in loco''.
A secretária de Saúde de Tamarana e diretora do hospital, Aparecida Nakaoka, sustenta que não houve imperícia médica. ''O pior aconteceu porque talvez tenha sido a vontade de Deus'', explicou.

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