Mães devolvem filhos ao Cense
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segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Wilhan Santin<BR>Reportagem Local 
A manhã de ontem ainda estava começando, às 8 horas, e o movimento era intenso em uma casa de um bairro na Zona Sul de Londrina. Três mães e seus três filhos adolescentes buscavam um meio de condução até o Fórum de Londrina. O objetivo das mulheres era apresentar os garotos à promotora de justiça dos adolescentes infratores, Sônia Regina de Melo Rosa. Elas sabiam que voltariam para casa sem os filhos, deixando-os algemados dentro de uma viatura policial. Mas avaliaram que era o melhor a fazer. Faltava o transporte. Tentaram uma carona com o Conselho Tutelar, mas receberam a resposta de que teriam que ir até o Fórum por conta própria. O transporte coletivo foi a saída.
Os três garotos em questão, dois de 17 e um de 13 anos, se evadiram há 10 dias do Centro de Socioeducação (Cense I) junto de um outro menor que ainda está foragido. À FOLHA, eles explicaram como foi a fuga. Diferente da primeira versão apresentada pela direção do Cense I, os menores disseram que não foram resgatados, mas se aproveitaram do descuido de um dos educadores para sair da unidade.
''Nós quatro estávamos no mesmo 'X'. Um educador deixou o cadeado aberto depois de levar o João (nome fictício) para fazer um exame de saúde. Percebemos o descuido e saímos do 'X'. Eram 10 horas. Depois de algum tempo os outros três resolveram voltar, mas eu fiquei escondido dentro de uma sala onde ficam guardadas as drogas que são apreendidas. Fiquei lá até anoitecer e usei cocaína. Quando era 22h30 voltei para o 'X'. Fiquei fora o dia todo e os educadores não sentiram a minha falta. Usei o cano de uma espingarda que estava na sala junto com as drogas para arrebentar o cadeado, que já havia sido fechado. Arrebentamos o cadeado e fomos até uma sala desocupada onde há um buraco na parede, que seria para um ar-condicionado. Arrebentamos a grade de ferro que fechava o buraco, subimos no telhado e depois pulamos o muro'', relatou Marcos (nome fictício).
A fuga dos quatro internos só foi notada às 7 horas do dia seguinte (8). No momento da evasão havia dois policiais militares, quatro educadores sociais e um enfermeiro na unidade.
Ainda segundo o adolescente, eles aproveitaram para pegar um bloco de um quilo de crack e uma quantidade indeterminada de cocaína e maconha. ''Após pular o muro do Cense, ficamos um tempo em um terreno baldio que tem por perto até que um conhecido passou de carro. Vendemos a pedra de crack barato, por R$ 2 mil. O resto da droga nós usamos, distribuímos e até jogamos um pouco fora. Com o dinheiro que conseguimos compramos tênis, roupas e pagamos para uma pessoa nos levar para um sítio fora de Londrina, onde ficamos escondidos no mato'', relatou.
O diretor do Cense I, Márcio Augusto Alencar Schimidt, confirmou que realmente aconteceu uma evasão e não um resgate. ''Abriremos um processo administrativo para averiguar a possível falha operacional'', argumentou. ''Trata-se de um fato isolado. Esses adolescentes estavam separados dos outros por sofrerem ameaças e acabaram se evadindo. Contudo, a nossa rotina permanece normal'', completou Schimidt. Atualmente, o Cense I trabalha no limite de sua capacidade, com 85 adolescentes.
O delegado William Douglas Soares, titular da Delegacia do Adolescente, que funciona junto ao Cense e que tem a responsabilidade sobre as drogas apreendidas que teriam sido furtadas pelos menores, confirmou que realmente há entorpecentes na sala que eles acessaram. ''Estamos fazendo um levantamento minucioso para concluirmos o que eles teriam subtraído''. No entanto, o delegado negou que haja armas nessa sala. ''Em nenhum lugar há armas de fogo por aqui. A espingarda à qual eles se referiram, na verdade, é apenas um pedaço de espingarda, sem poder de fogo'', explicou.


