Um grupo de mães de alunos matriculados na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), acompanhadas de seus filhos, voltou à Prefeitura de Londrina na manhã de ontem para cobrar do Município agilidade na aprovação do projeto de lei nº 378/2003, que regulamenta o transporte urbano gratuito às pessoas com deficiência e seus acompanhantes. Desta vez, elas conseguiram. O prefeito sancionou o projeto.
A Câmara de Vereadores aprovou a proposta no dia 19 de fevereiro, e as famílias aguardavam com ansiedade que a lei fosse sancionada, o que vai permitir que as mães ou acompanhantes tenham passagem liberada para voltar para casa depois de deixar os filhos na escola. Hoje, os acompanhantes só têm direiro à gratuidade se estiverem acompanhados das pessoas com deficiência, obrigando-os a também permanecer na escola no período em que os filhos estão na aula.
Muitas mães têm buscado abrigo do tempo num posto de gasolina localizado em frente a Apae. Outras sofrem de problemas de saúde e preferem ficar sentadas na calçada da escola, para esperar a saída dos filhos. Algumas até fazem crochê na rua enquanto aguardam.
A dona-de-casa Rosângela Aparecida Salviato tem filhas gêmeas que sofrem de paralisia cerebral e cada uma estuda num horário diferente. A família mora na Zona Oeste e Rosângela precisa pegar dois ônibus para levar as meninas para a Apae, que fica na Zona Sul da cidade. Ela já não sabe de onde tirar dinheiro para bancar o transporte. ''Se as meninas ficam em casa, elas reclamam, então tenho que dar um jeito'', desabafou Rosângela, que tem outros dois filhos.
Diva Gonçalves Schneider precisa tomar três conduções para levar a filha Cristiane, que sofre de paralisia cerebral, até a associação. Sem o benefício da volta gratuita, a menina passou a frequentar a escola apenas duas vezes por semana. ''Ela está perdendo tudo o que a Apae oferece, principalmente a fisioterapia'', lamentou a mãe.
Conforme o major Adalberto Pereira da Silva, secretário municipal de governo, o projeto foi sancionado pelo prefeito Nedson Micheleti (PT), será publicado no Diário Oficial do Município na próxima quinta-feira, dia 13, e reivindicado junto à CMTU.

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