Mães de deficientes fazem protesto
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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
A decisão de incluir alunos portadores de deficiência em linhas comuns do sistema de transporte coletivo de Londrina está gerando descontentamento de algumas famílias que afirmam ter dificuldades para levar os filhos à escola. Uma manifestação no Terminal Urbano (Centro), ontem pela manhã, reuniu mães de crianças e adolescentes que sempre dependeram do transporte especial.
A mudança foi definida entre a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e Promotoria de Defesa de Pessoas Portadoras de Deficiência com as famílias e as entidades que atendem os estudantes, em dezembro de 2005.
A reclamação é que os ônibus comuns não oferecem condições adequadas. A lotação nos ônibus não permite que os alunos especiais sentem ou se acomodem de forma segura. Muitos usam muletas, não possuem coordenação motora suficiente para se segurar e as mães são obrigadas a acompanhar os filhos.
''No transporte especial as crianças iam sentadas com a supervisão de uma monitora. Eu só colocava minha filha no ônibus, na porta de casa. Agora está muito difícil'', afirma a diarista Maura Morangueira Rodrigues, que tem uma filha de 12 anos com lesão cerebral. A garota frequenta a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e há apenas um ano havia conseguido vaga para o transporte especial. Moradora do Aquiles Stenghel (Zona Norte), Maura agora precisa sair de casa com a filha por volta das 6 horas. A menina ainda sofre convulsões, o que complica mais a situação. ''As pessoas não entendem, olham diferente, com preconceito.''
A massagista Maria Alice Barreto também tem um filho de 18 anos com problemas cerebrais. O jovem tem dificuldade de locomoção e enfrenta problemas para ir à Apae. ''Não podemos ficar sem o transporte. Isso é um absurdo. A decisão da promotoria só complicou a vida da gente.''
Maria Francisca da Silva tem dois filhos com problemas físicos e mentais. O mais novo, Renato da Silva Vicente, 17 anos, depende do transporte. ''É muito difícil porque não posso deixar ele ir sozinho para a escola.'' Renato, que só consegue se movimentar com a ajuda de muletas, também reclama. ''O ônibus vai muito cheio, não tem lugar pra sentar, você fica sem apoio'', diz. Ele conta que já caiu no ônibus e que a situação é constrangedora. ''Ninguém dá lugar pra sentar.'' As mães estimam que mais de 60 pessoas entre jovens e adolescentes ficaram sem o transporte especial.
Segundo a promotora Solange Vicentin, a intenção é diminuir o tempo de viagem algumas crianças levavam três horas para chegar à escola e reduzir a fila de espera por transporte especial daqueles que realmente não têm condições de utilizar o transporte regular. ''Somado a isso, temos a questão da inclusão, que é tema Campanha da Fraternidade deste ano.''
A promotora explica que a prioridade hoje é para cadeirantes, portadores de doenças mentais severas e usuários de próteses que tenham dificuldades para utilizar a linha regular de transporte. Para facilitar, lembra, foram colocadas linhas diretas do Terminal Urbano para todas as escolas de educação especial, nos dois horários de entrada e saída de alunos. ''É normal que no início as famílias estranhem, porque antes tinham a comodidade do transporte exclusivo na porta de casa. Mas precisamos priorizar os casos de maior necessidade'', observa.'' (Colaborou Silvana Leão)


