Pais que levaram os filhos ontem ao Pronto Atendimento Infantil (PAI), no centro de Londrina, tiveram que ter muita paciência. Teve gente que chegou por lá por volta das 9 horas e ainda aguardava atendimento mais de seis horas depois. Com a fila só aumentando e a recepção lotada, o estresse foi geral.
A dona de casa Eliane Lopes chegou ao local com sua filha reclamando de dores de ouvido por volta das 9 horas. Como a triagem foi feita rapidamente, ela acreditou que não passaria muito tempo na fila, mas não foi o que aconteceu. "Estou até agora sem comer. A gente fica esperando e eles não falam nada, não chamam, e a paciência vai acabando. A gente tem que vir aqui sem nenhum plano para depois. Haja paciência", reclamou.
A técnica em enfermagem Vaneide Machado conta que está acostumada a enfrentar longas filas no PAI. "Da outra vez cheguei às três da tarde e só fui embora mais de dez da noite", relembrou. Com a filha de apenas 4 meses cheia de manchas vermelhas pelo corpo, ela esperava atendimento havia mais de quatro horas. "Tem um monte de consultório lá dentro e ninguém para atender. É um descaso enorme com a gente", esbravejou.
A dona de casa Maria Rosa Teodoro estava indignada. Ela chegou ao PAI por volta das 10 horas e cinco horas depois ainda havia mais de 40 pessoas para serem atendidas antes da sua filha, que apresentava fortes sintomas de gripe. "A gente se sente um nada quando vem aqui. Já faz quase duas horas que eles não chamam ninguém. Eles têm que ter consciência de que estão mexendo com vidas, são crianças", cobrou ela, perto das 15 horas.
O secretário municipal de Saúde, Mohamad El Kadri, atribuiu a demora no atendimento ao "número além do esperado de pacientes". "Foram 114 pela manhã e mais 50 à tarde", justificou. Por volta das 15 horas, a reportagem esteve no local e apurou que o atendimento estava parado na senha 74. Apenas dois médicos estavam na escala da tarde, que começou às 13 horas. No período da manhã, eram três pediatras.
El Kadri disse que a situação deve melhorar a partir de outubro, quando outros dois médicos aprovados no concurso realizado em maio começarão a trabalhar. "Eles já foram convocados, mas solicitaram o prazo legal de 60 dias para iniciar", contou. Com eles, a equipe do PAI terá 26 médicos. Um novo concurso será aberto em breve para a contratação de mais cinco profissionais.
Ainda de acordo com o secretário, o período da noite deveria contar novamente com um terceiro médico, o que deveria amenizar um pouco a longa espera.

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