Mães aprendem a arte de contar histórias
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de maio de 1999
Lucilia Okamura 
Não existe idade mínima para começar a contar histórias para uma criança. Este hábito pode, inclusive, ser iniciado quando o filho ainda está na barriga da mãe e prosseguir logo após o nascimento, mesmo ele não entendendo nada. A opinião é da pedagoga Silene Chimentão Punhagui, de Londrina, que defende o hábito da leitura por trazer muitos benefícios às crianças.
A literatura infantil é o tema da oficina que ela ministrará amanhã, no Colégio Mãe de Deus, a um grupo de 30 mulheres. Durante o evento, ela dará dicas e truques para tornar a leitura mais atraente.
A importância das crianças lerem está mais que comprovada, segundo a pedagoga. Entre os benefícios que o ato de ler e de ouvir histórias trazem, estão o de divertir o espírito, preparar a criança para a vida, ampliar os conhecimentos, enriquecer o vocabulário e trabalhar a expressão oral e escrita.
Na opinião de Silene Punhagui, educa-se mais através de uma história do que dando uma lição de moral. Isso porque a literatura infantil atual não passa para a criança um mundo completamente ordenado, não oferece verdades prontas. Ela precisa refletir sobre o que lê, saber o que o autor quis dizer com a história.
Para quem ainda se mostra reticente sobre os benefícios da leitura, a pedagoga conta que seus dois filhos (Bruno, 8 anos, e Giovana, 11 anos) foram estimulados desde cedo ao hábito da leitura. Segundo ela, ambos tiram sempre notas altas em português, têm fluência para falar e escrever. Isso tudo ela credita à leitura.
Ao contrário do que muita gente imagina, as histórias não devem ser contadas somente na hora de dormir. Segundo a pedagoga, esta atividade pode ser realizada, por exemplo, na hora do banho ou após o jantar. O importante é dedicar uma parte do tempo para esta atividade, demonstrando amor e interesse.
E como fazer a criança aprender a gostar de ouvir histórias? Não adianta fazer da leitura um ato mecânico, ensina a pedagoga. Em primeiro lugar, é fundamental escolher um bom livro.
Deve-se dar preferência a um livro que contenha uma mensagem, que possa trabalhar aspectos relacionados com o seu cotidiano, ressalta. Histórias que mostrem preconceito ou racismo, assim como aquelas que incitam a violência devem ser evitados. A mãe tem que pesquisar bastante.
Na hora de escolher a leitura é preciso também levar em conta a idade. Para crianças menores de 5 anos, a dica é usar livros que contenham basicamente ilustrações e contar uma história a partir das figuras. A mãe pode também pedir para a criança montar a sua história, ensina.
Dos 5 aos 7 anos, a criança está no que a pedagoga chama de fase do pensamento lúdico - quando ela se encanta com o maravilhoso, o mágico, o insólito. Nesta fase, são ideais as narrativas curtas, contos de fadas e fábulas simples.
Crianças entre 8 e 12 anos já começam a se interessar pela aventura, risco e coragem e, aos poucos, vai entrando no mundo real. Por isso, são indicadas histórias de aventuras, humorísticas, de piratas, náufragos, tesouros e ilhas, além de contos de feitos heróicos ou populares regionais.
Na chamada fase do pensamento lógico (crianças de 12 a 14 anos) há o interesse pelas experiências de vida de um herói, pelos feitos humanos, sagacidade dos heróis em vencer obstáculos e dedicação do homem pelo seu grupo social.
DICAS
- Estar sempre atualizado em obras destinadas à criança - desenhos, musicais, revistas etc.
- Procurar refletir com a criança o conteúdo e a mensagem proposta na história
- Limitar o tempo da narrativa para 6 minutos (criança até 7 anos), 8 minutos (7 a 10 anos), 15 minutos (10 a 14 anos) e 20 minutos (acima de 14 anos)
- Enriquecer a história com recursos auxiliares, como fantoches
- Adaptar o vocabulário à compreensão da criança e narrar com naturalidade, sem linguagem rebuscada ou estilo empanado.
- Não interromper a narrativa
- Evitar a narração monótona, sentindo e vivendo a história
- Conhecer com absoluta segurança o enredo, evitando hesitar ou contar uma história que já esqueceu


