Mães antes da hora
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quinta-feira, 06 de maio de 2010
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Nos últimos cinco anos, o percentual de mulheres que tiveram filhos antes de completar 19 anos em Londrina ficou na média de 16%. Em outros municípios abrangidos pela 17 Regional de Saúde os números assustam ainda mais. Em Prado Ferreira, a apenas 53 quilômetros de Londrina, as adolescentes foram responsáveis por 40,91 por cento dos partos no ano de 2005. Naquele mesmo ano, este percentual foi de 36,84% em Cafeara (Norte).
O alto índice de jovens que têm suas vidas transformadas pela maternidade precoce motivou a promulgação, em maio do ano passado, de uma lei estadual criando a Semana de Orientação sobre a Gravidez na Adolescência, que acontece sempre no início do mês de maio nas escolas públicas. Além de intensificar, nesta época, as discussões em torno da maternidade, os educadores têm sido incentivados a trabalhar durante o ano todo questões que podem ser decisivas na vida dos jovens, como o uso de drogas.
No caso da gravidez, a orientação da Secretaria Estadual de Educação (Seed) é que sejam fomentadas discussões que não se restrinjam à questão biológica. ''Recomendamos que sejam discutidos também os aspectos sócio-econômicos e culturais da maternidade, além das questões de gênero, já que o ônus, a responsabilidade de um filho, quase sempre fica para as mulheres'', lembra Dayana Brunetto, coordenadora do Núcleo de Gênero e Diversidade Sexual da Seed.
Ela ressalta que ainda são muito fortes a opressão e a dominação masculina, por isso uma das questões trabalhadas é o empoderamento das jovens mulheres, que vai refletir, por exemplo, no momento de negociar com o parceiro o uso de preservativo. ''No imaginário de muitas adolescentes, ainda persiste a ideia que se elas não cederem à relação sem camisinha perderão o namorado e nunca mais encontrarão alguém igual'', diz. Segundo Dayana, as ações são realizadas de forma integrada com as Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
Para a técnica pedagógica e responsável pelos trabalhos de gênero e diversidade sexual do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina, Sandra Mara de Andrade, só o conhecimento será capaz de mudar a realidade. ''O melhor caminho é o da educação. O assunto tem que ser trabalhado nas escolas e também nas famílias. Mas os resultados não são imediatos, eles vão aparecer aos poucos'', argumenta.
Sandra explica que até 2009 a educação sexual era trabalhada nas escolas mas apenas pelo professor de Ciências. A partir da promulgação da lei nº 16.115/2009 direção, equipe pedagógica e professores discutem juntos os temas que serão trabalhados durante o ano.
Limites
A psicóloga Wilma Silva Ribeiro, membro do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente, explica que uma das características daqueles que estão saindo da infância é testar frequentemente sua onipotência. Eles acham que têm controle sobre qualquer situação e que os problemas só acontecem com os outros. ''A adolescência é a fase de testar limites, de transição entre o mundo mágico (infantil) e o mundo real (adulto). Por isso eles se arriscam o tempo todo e também testam os adultos o tempo todo, até para descobrir que tipo de pessoa eles querem ser. Estas jovens que se tornam mães na adolescência antecipam sua entrada no mundo adulto.''


