A programação londrinense da Semana Mundial de Amamentação foi deflagrada ontem à noite com palestra que destacou a importância de incentivar as mães a alimentarem seus filhos exclusivamente com leite materno até o sexto mês de vida. A semana, este ano, trabalha o tema ''Amamentação na Era da Globalização'' e segue até o dia sete de outubro. Pesquisas do Ministério da Saúde apontam que mais de 90% das mães oferecem o peito a seus filhos logo após o nascimento, mas uma parte significativa introduz outros tipos de alimentos principalmente água e chás já na primeira semana, o que desestimula a amamentação materna e traz prejuízos aos bebês.
A pesquisadora do Instituto de Saúde da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo e doutora em Saúde Pública, Sônia Isoyama Venâncio, falou sobre o tema exemplificando com os apontamentos obtidos em sua pesquisa realizada em 111 municípios paulistas. Ela detectou que a amamentação exclusiva até o sexto mês é pouco frequente e o problema piora quando não existem políticas públicas de atendimento às famílias. Dentre os pontos que desestimulam o aleitamento exclusico, Venâncio destacou: a baixa escolaridade da mãe; o baixo peso do bebê ao nascer, que interfere negativamente na sua capacidade de sugar o seio; as dificuldades da mãe com o primeiro filho; a falta de informação de mães adolescentes.
De acordo com Venâncio, estudos referentes aos últimos 30 anos apontam que as mães brasileiras estão amamentando seus filhos por mais tempo. Em 1975, 50% das mulheres não amamentavam seus filhos recém-nascidos por mais de dois meses e meio. Em 1999, essa duração passou para 10 meses. Para a pesquisadora, é preciso incentivar a amamentação exclusiva orientando as mães a não oferecerem mamadeiras com água e chás adocicados ou chupetas aos filhos. Isso desestimula o bebê a sugar o seio e pode ocasionar problemas odontológicos e aumenta o risco de doença, uma vez que o leite materno é o mais completo alimento e oferece proteção máxima em termos de imunidade.
''É preciso investir em aleitamento. A questão não passa apenas por serviços profissionais, mas também envolve a cultura da sociedade. Estamos ainda na cultura da mamadeira'', lembrou Lilian Poli, coordenadora do Comitê Municipal de Aleitamento Materno (Calma), órgão ligado à Secretaria Municipal de Saúde. A enfermeira lamentou que muitos mitos ainda povoam as mentes das mães e interferem na continuidade do aleitamento. Entre eles, beber cerveja preta ou canjica para aumentar o leite.
O Calma vem trabalhando neste sentido desde quando foi criado, em 1994, objetivando integrar ações de instituições de assistência, ensino e pesquisa para estimular o aleitamento materno. Em 2002, realizou pesquisa com 2.000 mães que revelou que apenas 29,3% das crianças de até quatro meses recebiam o leite materno como alimento exclusivo e 50% das crianças com a mesma idade recebiam leite materno associado a chás ou água.

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