A espera de quase 24 horas por uma vaga em um hospital e o vaivém de casa para o pronto-socorro com o filho de apenas 15 dias doente nos braços transformaram em tristeza e revolta o Dia das Mães da desempregada Ângela Gonçalves de Melo, 22 anos, moradora da Vila Marísia, na área central de Londrina.
O drama de Ângela Melo começou na sexta-feira à tarde, quando percebeu que o bebê Lucas estava com febre. No Pronto Atendimento Infantil (PAI), para onde levou o garoto, os médicos o submeteram a um exame de raios X e diagnosticaram uma pneumonia. Segundo ela, do PAI ligaram para vários hospitais, inclusive em Cambé e Rolândia, sem conseguir vaga para internação. Pela primeira vez, Ângela Melo vivia a angústia de ver um filho doente e não conseguir tratamento adequado.
A última tentativa, de acordo com ela, foi feita no Hospital Infantil, onde também comunicaram que não havia vaga. ‘‘Mas chamaram a ambulância e me disseram para ir para lá, porque dariam um jeito’’, disse. Ângela Melo esperou das 19h30 até quase uma hora da madrugada por uma vaga, sem conseguir. ‘‘Então fui embora para casa’’, contou.
No sábado de manhã voltou ao PAI com o filho onde tiraram nova radiografia dos pulmões e a encaminharam novamente ao Hospital Infantil. ‘‘Cheguei no hospital ao meio-dia e não tinha vaga’’, afirmou. Mesmo assim, Lucas foi medicado e aguardou em uma sala pela alta de alguma outra criança. O recém-nascido foi internado no sábado à tarde e poderá ter alta hoje. ‘‘Eu nunca tinha passado por isto antes’’, complementou Ângela Melo, que tem mais duas filhas de quatro e cinco anos.
As doenças sazonais – problemas respiratórios, no inverno, e gastroenterológicos no verão – denunciam todos os anos a falta de estrutura da saúde pública. O inverno ainda nem começou e ontem o Hospital Infantil foi obrigado a suspender o atendimento por falta de vagas para mais internações.
O berçário do Hospital Infantil tem capacidade para quatro recém-nascidos e ontem tinha oito internados. Com 20 leitos destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS), o hospital estava com 40 crianças internadas, a grande maioria com problemas respiratórios. ‘‘Hoje (ontem) fomos obrigados a interromper o atendimento porque não temos mais vagas’’, afirmou a diretora-clínica da instituição, Sueli Pereira. ‘‘Daqui para frente a tendência é a situação piorar mais ainda’’, afirmou.
Nos outros hospitais da cidade a situação não é diferente. O Hospital Universitário, o Hospital da Zona Norte e o PAI estão atendendo muito além de sua capacidade desde meados de abril, quando houve uma mudança brusca de temperatura, desencadeando diversos casos de problemas respiratórios.

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