Mãe tenta há 20 anos obter benefício para filho deficiente
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quinta-feira, 26 de julho de 2007
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Apucarana - A pobreza nunca impediu a aposentada Maria Fernandes Ferreira, 77 anos, de ser solidária. Vinte e seis anos atrás ela deu um exemplo de desprendimento ao adotar um recém-nascido abandonado. Criado com tratamento igual aos quatro filhos biológicos da viúva, Cláudio Fernandes Ferreira hoje recebe atenção especial. Uma dedicação quase que exclusiva para superar problemas e criar o menino com muito amor.
E adversidades sempre fizeram parte da história do jovem. Desde os primeiros dias de vida dele. A hora, dia e ano em que Cláudio entrou na vida de dona Maria estão bem vivos na memória dela: 16h30 do dia 1º de agosto de 1981. Ele foi abandonado pela mãe num hospital da cidade. Uma enfermeira, então, ofereceu o bebê para pessoas que passavam pela rua.
Uma dessas pessoas era o funcionário público João Macena Ferreira, marido de Maria, que havia saído de casa para ir ao mercado. Ele buscou a esposa e decidiram imediatamente ficar com a criança, sem pensar nas dificuldades financeiras. Foi a fragilidade do recém-nascido que mais impressionou o casal.
''Era só um bonequinho. A perna dele tinha a grossura de um dedo. Sei que a mãe dele fugiu do hospital e nunca mais apareceu. Quando ficamos com ele a enfermeira disse: agora ele vai ter uma mãe para sempre'', relembra a aposentada. Maria conta que uma mulher, num ''carrão'', queria ficar com a criança, mas ela não permitiu.
Com dois meses de idade, a criança pesava apenas 1,5 quilo. Mesmo assim, a infância do garoto, que tem deficiência mental, foi normal. A dificuldade para caminhar sempre o acompanhou, mas não foi impedimento para assistir as aulas na Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) da cidade. Tanto que Cláudio passou por cirurgias aos seis anos para corrigir problemas nas pernas. Depois disso, conta a mãe, os pés dele atrofiaram e ele nunca mais andou.
Esse período foi especialmente trágico para a família. No intervalo entre as duas operações de Cláudio, dona Maria perdeu o marido, vítima de derrame. E para piorar os outros filhos moravam em outras cidades. Para criar Cláudio ela fez muita faxina e lavou muita roupa como funcionária da prefeitura.
A vida dele sempre resumiu-se a ficar na cama. É completamente dependente de auxílio para as atividades mais básicas do cotidiano, como comer e tomar banho. Mas disposição para fazer tudo pelo filho nunca faltou para a dona Maria. Até porque ''ele me chama o tempo todo.''
A força de vontade dela, no entanto, é diretamente proporcional às adversidades. O sustento dos dois sai da aposentadoria e da pensão pela morte do marido, que somam dois salários mínimos. Pouco para quem precisa pagar aluguel e tem um gasto alto com medicamentos.
Com o objetivo de ganhar um fôlego para dar conta das despesas, a aposentada tenta obter algum tipo de benefício do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Só que essa luta já se estende por 20 anos. A aposentada diz que já perdeu as contas do número de visitas que fez à agência local, e do dinheiro que gastou para fazer fotocópias de documentos, sempre com esperança de conseguir ''aposentar'' o filho. Um sonho que permanece frustrado até hoje.
Agora ela conta com apoio mais próximo de um dos filhos. O autônomo Francisco Xavier Ferreira, 51, passou há três anos a morar com a família nos fundos da casa da mãe. Ele pretende conseguir um advogado para desatar o nó que esse pedido de auxílio social junto ao INSS transformou-se. ''O próximo passo é procurar um advogado, que assuma esse caso de coração aberto. Acho que os outros não correram atrás o quanto deveriam'', lamenta o irmão de Cláudio.


