Chegou ao fim o pesadelo da professora Franciane 25 anos. Sua filha, a menina Paula Heinisch Violante da Costa, 4 anos, chegou na madrugada de ontem ao Brasil, depois de ser resgatada pela mãe em Portugal. Paula tinha sido sequestrada em 1996 pelo pai, o engenheiro florestal Pedro Miguel de Almeida Neves Violante da Costa. Os dois moravam desde então em uma pequena cidade, no extremo Sul de Portugal, país do qual Costa tem nacionalidade.
A criança foi retirada à força na manhã de anteontem da residência do engenheiro florestal, na qual viviam Costa, a filha, a avô e duas irmãs. A casa está situada a cerca de 450 quilômetros de Lisboa, na cidade de Santo Antonio de Vila Real.
Franciane tinha viajado para Portugal na segunda-feira, acompanhada da advogada Carla Afonso Oliveira Pedroza. Em Portugal, o ex-marido da professora encaminhava um processo para regularizar a guarda da filha, retirada de forma irregular do Brasil.
Segundo a advogada de Franciane, Costa se utilizava de mentiras para enganar a Justiça de Portugal. Uma delas era de que Franciane havia abandonado o lar e a filha.
O avião pousou no Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, por volta de 1 hora da mandrugada de ontem. À espera, estavam o delegado Harry Herbert, do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) do Paraná, e o chefe da Interpol em Curitiba, Roberto das Chagas Monteiro. ‘‘Ela está flutuando. Nem acredita que isso chegou realmente ao fim’’, disse a advogada de Franciane.
O delegado do Sicride havia marcado uma entrevista coletiva com a imprensa para as 16 horas de ontem. A entrevista foi adiada porque Franciane se recusou a comparecer. ‘‘Ela e a criança se encontram um pouco abaladas devido à viagem’’, disse a advogada.
O delegado não quis comentar o caso antes da entrevista, que foi marcada para hoje, no mesmo horário. Ele, porém, elogiou a postura da mãe, da Interpol e da Justiça de Portugal. ‘‘Ela foi uma guerreira’’, disse Herbert, referindo-se a Franciane.
Enquanto tentava regularizar a situação da filha em Portugal, Costa negociava um pseudo acordo com a ex-mulher. Ele tentava impedir que um processo criminal, que corre na comarca de Rio Negrinho, fosse levado a diante. Além de Costa, respondem pelo sequestro de Paula Antonio Violante da Costa, pai do engenheiro, Maria Carolina, mãe, e José Antonio Violante da Costa, irmão. ‘‘Eles demonstraram que desde o início queriam enganar Franciane e não ver o que era melhor para a Paula’’, disse a advogada.
Se forem condenados, cada um pode pegar pena de dois a seis anos de reclusão. Costa pode viver em liberdade em Portugal, por haver não acordo de extradição entre aquele país e o Brasil. Mas, se quiser evitar o processo, está impedido de retornar ao Brasil.

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