Curitiba - A auxiliar de enfermagem Tatiane Damiane, 41 anos, que matou a filha de oito meses ao jogá-la da janela do sexto andar do edifício onde mora, foi encaminhada ontem para o Complexo Penal Feminino, em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba). Nos próximos dias um perito do Instituto Médico Legal (IML) vai realizar uma avaliação psicológica. Se for confirmada sua insanidade, ela deverá cumprir uma pena diferenciada no Centro Médico Penal. O crime aconteceu na segunda-feira à noite.
Durante entrevista à imprensa ontem, Tatiane alegou que não gostava da criança e que vinha planejando o crime há alguns dias. Sem demonstrar nenhum sentimento, ela afirmou que desejava se livrar das obrigações de dar banho, trocar fraldas e alimentar a filha. ''Acho que eu tenho problema mental'', afirmou aos jornalistas, alegando que já esteve internada no Hospital Psiquiátrico Bom Retiro e em um Centro Psiquiátrico Metropolitano de Curitiba. Ela relatou que estava tomando litium 450 gramas, um psicotrópico de uso controlado.
Ontem pela manhã, Tatiane tentou se jogar da janela do Centro de Triagem 1 da Polícia Civil, mas foi impedida pelos policiais. Segundo a delegada responsável pelo caso, Eunice Vieira Bonome, do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crime (Nucria), o inquérito deverá ser concluído nos próximos dez dias. Nesse período serão ouvidos vizinhos, familiares e outras pessoas que tiveram contato com a autora do crime. Tatiane responde acusação por homicídio doloso.
O bebê, de nome Mariana, foi jogado em um local de difícil acesso, na laje do teto da garagem do prédio onde Tatiane morava, no Centro da cidade. Por volta das 21 horas, o zelador do edifício, Gilberto Haro, recebeu um chamado pelo interfone, informando que havia uma criança caída naquele local. ''De longe pensei que era uma boneca, mas quando cheguei perto vi que era a menina'', conta. Segundo ele, a auxiliar de enfermagem era uma pessoa ''tranquila, sossegada'', que nunca teve problemas com o condomínio.
Depressão
Na opinião do psiquiatra Paulo Roberto Pacheco, diretor-geral do Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho, os primeiros sintomas de um quadro de transtorno bipolar (que alterna momentos de euforia e depressão) ocorrem por volta dos 30 anos. Sob esse aspecto e considerando suas internações anteriores, Tatiane apresentaria um quadro crônico da doença. Ele descarta a hipótese de depressão pós-parto, já que a vítima já tinha oito meses de vida. Segundo Pacheco, o litium é um medicamento usado como estabilizador de humor.
A família tinha passado um final de semana tranquilo. A informação foi dada por Rita Silverio, que esteve ontem com Rachele Damiane, mãe de Tatiane Damiane. Ela disse que Tatiane, depois de passar o dia com a filha e o pai da criança, ligou para a mãe, que mora no Rio Grande do Sul, no domingo à noite, afirmando estar tudo bem. Mas Rachele percebeu que havia algo errado e já tinha programado uma viagem para ver a filha na terça-feira.
De acordo com Rita, Tatiane toma remédios psiquiátricos fortes há cerca de 13 anos. ''A Tatiane conscientemente nunca faria uma coisa destas'', conta. (Colaborou Marcela Rocha Mendes)

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