Mãe que matou bebê disse que tinha medo da família
Quando a criança nasceu não sabia o que fazer. Esta é a explicação dada pela auxiliar de serigrafia Maria Celeste de Oliveira, 25 anos, de Sarandi (7 km a leste de Maringá) que na última quinta-feira matou seu bebê recém-nascido, colocando uma camisa na boca da criança. O bebê, do sexo feminino, morreu asfixiado. Em seguida, Maria Celeste colocou o corpo em uma sacola e a deixou na rua para ser recolhida pelo lixeiro.
Segundo ela, em nenhum momento durante a gravidez pensou em contar para os familiares e buscar ajuda. E nem pensou em doar a criança. Tinha medo da família e do ex-marido, de quem está separada há quase dois anos. Tinha medo que ele me tirasse o nosso filho de seis anos.
Sobre o pai do bebê morto na quinta-feira, Maria Celeste afirmou que também não o procurou durante a gravidez e que teve com ele um romance passageiro. Presa, acusada de homicídio qualificado, ela mantém um tom de voz baixo e se emociona ao ver as fotos tiradas pelos investigadores da Polícia de Sarandi do bebê jogado no meio do lixo. Maria Celeste e um irmão moravam em uma casa comprada em parceria. Do ex-marido, ela recebe uma pensão mensal de R$ 178,00 para o filho.
Este foi o terceiro caso registrado em Sarandi este ano, de mães solteiras ou separadas que escondem da família a gravidez indesejada e depois tentam se livrar do filho. Em fevereiro deste ano, a estudante Celiane dos Santos, 20, escondeu a gravidez dos tios, com quem mora e, depois de ter o bebê de madrugada, escondida no banheiro, jogou-o no quintal da casa vizinha. A criança conseguiu sobreviver graças ao socorro prestado pelo vizinho.
Em julho deste ano, a auxiliar de cozinha Silvia Cristina Ribeiro, 20, que também havia escondido a gravidez de amigos e parentes, ganhou o bebê de madrugada e colocou a criança em uma sacola plástica. Silvia Cristina disse em depoimento na delegacia e à imprensa que ela não sabia que a criança estava viva. Ela chegou a dizer que achava que o bebê tinha nascido morto.
Das três, somente Celiane não foi presa. A filha dela, Vitória Carolina dos Santos, sobreviveu e hoje está com 10 meses. Celiane não permitiu que a reportagem da Folha fotografasse ela e a filha. Disse que, às vezes, pensa no que fez e começa a chorar. Arrependimento é a única palavra que ela encontra para definir todos os momentos, a partir do nascimento da filha. Não sabia o que estava fazendo e também não sabia como é bom ser mãe. Hoje não entrego minha filha para ninguém.
Vitória Carolina já está engatinhando e é a alegria da casa dos tios de Celiane, onde ela e a filha continuam morando. Tive tanto medo da minha tia e ela me deu tanta força....
Celiane, como Silvia Cristina e Maria Celeste, tinha muito medo da reação dos familiares e não encontrava forças para falar sobre a gravidez. Sei que é difícil manter uma gravidez indesejada, mas o meu conselho é para que as pessoas não façam aborto e muito menos matem o filho recém-nascido. O jeito é contar sobre a gravidez para a família que ela sempre vai ajudar, recomendou.Marcos NegriniMaria Celeste, presa em Sarandi: Não sabia o que fazerLucinéia Parra





