Mãe pediu para filha ser presa para tratá-la
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quinta-feira, 03 de junho de 2004
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
''O grande mal da minha filha foi ter sido tão bonita. Ela era uma menina como qualquer outra, mas que chamava a atenção pela sua beleza e atraiu a cobiça de um traficante''. Esse foi o lamento da mãe da jovem F.B.S.C., de 24 anos, que foi presa pela Polícia Civil de Londrina no dia 13 de maio para que pudesse manter o tratamento contra a tuberculose que já estava em estágio avançado. A mãe disse que a medida foi a última alternativa para tentar salvar a vida da filha e garantir que outras pessoas não fossem infectadas pela doença.
Em entrevista exclusiva à Folha, ela contou que F. era uma adolescente tranquila, embora tivesse que tomar medicação diária para controlar um distúrbio bipolar (doença que alterna momentos de euforia com outros de depressão). Ela trabalhava e conseguiu cursar até o 2º ano do ensino médio. Na adolescência, com 1,86 metro de altura e pouco mais de 60 quilos, chamava a atenção pela beleza.
Aos 18 anos, porém, sua vida mudaria por completo. ''Ela foi morar fora de casa com um rapaz e começou a se envolver com drogas. Trouxe-a de volta para casa por nove vezes, mas ela já estava viciada'', lamentou a mãe. A jovem, depois de cair de uma ponte, passou 100 dias no hospital e acabou deficiente física.
Após receber alta, voltou para as ruas e começou a pedir esmolas para conseguir manter o vício. Alguns dias antes de ser presa pela polícia, ela procurou a Unidade Básica de Saúde do Jardim Leonor (zona oeste) por causa de uma grave diarréia. De lá, ela foi encaminhada para o Hospital Universitário (HU), onde recebeu o diagnóstico de tuberculose em estágio de contágio. Mesmo assim, ela não permaneceu no hospital e voltou para as ruas e acabou sendo presa no dia 13 de maio em um barraco de uma favela na zona norte. Sem saber o que fazer a mãe procurou a promotora Solange Vicentin e foi orientada a pedir a prisão da filha com base no artigo 131 do Código Penal: perigo de contágio de doença grave a terceiros, com pena de um a quatro anos de reclusão. ''Do tempo que ela fugiu até ser presa novamente, fiquei gritando com as autoridades, que achavam o caso interessante mas diziam que nada poderiam fazer'', reclamou a mãe.
Visitando a filha com frequência quase que diária, ela diz que F. já está apresentando alguma melhora. Mesmo assim, a mãe teme que ela volte para as ruas se não for condenada pelo juiz a se tratar, tanto da tuberculose quanto do vício. ''Minha esperança é que o juiz tenha dó e condene minha filha para que ela faça o tratamento.'' Por enquanto, F. permanece internada no Setor de Moléstias Infecciosas do HU, sob escolta policial.


