Mãe pede prisão de assassino
Osmani Costa
De Londrina
Desde que seu filho Claudecir Clemente da Silva, 26 anos, foi assassinado com um tiro de garrucha na testa, no dia 17, ontem a vendedora desempregada Maria dos Reis Medeiros, 48 anos, reuniu coragem e saiu da casa dela no Conjunto Habitacional João Paz (zona norte) pela primeira vez. Foi ao Cemitério Jardim da Saudade, a poucos quilômetros, colocar uma cruz de madeira na sepultura do filho.
Tenho muito medo de andar pelas ruas do meu bairro, sabendo que o assassino do Claudecir está solto por aí e pode voltar a cometer algum crime a qualquer momento, comentou ela, mostrando o boné que o filho usava no momento em que foi morto. O homicídio aconteceu dentro de um salão de jogos eletrônicos em que a vítima trabalhava havia uma semana.
Maria Medeiros que tem uma filha que mora no Acre diz acreditar que o assassinato foi premeditado e cometido a sangue frio. O criminoso já havia ameaçado o meu filho, por causa de uma briga em torno do sumiço de uma blusa. Estou revoltada porque fiquei sabendo que ele se mudou do conjunto Luiz de Sá, bairro vizinho em que morava. Não vou ter sossego enquanto ele não for julgado, condenado e preso, ressaltou ela.
O pintor autônomo Wagner Ribeiro conhecido como Chocolate , 21 anos, apresentou-se à polícia, depois de ter fugido e evitado a prisão em flagrante, e confessou a autoria do crime. Para o delegado do 5º Distrito Policial (DP), Jorge Barbosa, ele alegou que atirou em Claudecir em legítima defesa, porque este teria ameaçado sacar uma arma.
Wagner Ribeiro, que não entregou a arma do crime à polícia, vai responder ao processo em liberdade porque é réu primário. Segundo testemunhas, a vítima estava desarmada e não houve discussão entre ela e o agressor. O Chocolate é uma pessoa perigosa, que não pode andar por aí livremente. Daqui a pouco, pode ser que outra mãe venha a sofrer tudo isto que estou sofrendo se ele não for preso logo, disse Maria Medeiros.
Esta é a terceira morte de um ente querido dela em poucos meses. Em junho, o amásio com quem viveu 17 anos foi assassinado com vários tiros na zona sul da cidade. Em setembro, o pai dela, José Barbosa de Medeiros, faleceu de morte natural. Nunca imaginei passar por tanto sofrimento em tão pouco tempo; é difícil encontrar estrutura para aguentar tudo isto, contou Maria dos Reis Medeiros, que há meses procura emprego sem sucesso. A situação está muito ruim. Quando a gente começa a sair de um trauma, vem outro. Agora que o Claudecir estava começando a trabalhar, veio este bandido e o matou friamente. Só espero que a justiça seja feita e ele fique preso por muitos anos.





