A dona de casa Zilá Ribeiro chorou durante quase todos os 18 minutos e 21 segundos que durou seu depoimento na tribuna livre da Câmara de Vereadores de Curitiba, ontem à tarde. Ela comoveu os vereadores, ao falar da impunidade em que vivem os acusados pelo assassinato de seu filho. Os vereadores pediram providência à Secretaria de Segurança Pública e à polícia para que seja feita a captura de dois dos três acusados que ainda estão soltos. Edson Antônio Gomes, 39 anos, o ‘Índio’, que está preso, confessou o crime e denunciou Alcione Maciel, 21 anos, conhecido como ‘Bicudo’, como autor do disparo. Maciel estaria morando em Campo Mourão, segundo Zilá. No crime estaria envolvido também Gilberto Lemos, dono da arma usada.
‘‘A senhora fique certa de que a Câmara é solidária ao seu sofrimento’’, disse o vereador Elias Vidal (PPB) à dona de casa. ‘‘Precisamos que sejam concretizadas ações de segurança e não apenas discutidas’’, criticou. Alguns vereadores de oposição criticaram o governador Jaime Lerner, que teria investido muito em propaganda e pouco em segurança. ‘‘Muito discurso, falação e propaganda resultam no que vivemos hoje (a violência)’’, disse o vereador Jorge Samek (PT).
Zilá Ribeiro tem vivido um drama desde a morte do filho, o estudante Nelson Ribeiro, 22 anos, assassinado com um tiro no peito no dia 4 de novembro de 1997. Os assaltantes levaram R$ 35,00 de Nelson, que voltava da escola. Zilá disse que a polícia ainda não efetuou a prisão porque ela ‘‘é pobre’’. Na ata da câmara, o vereador Gustavo Fruet (PMDB) afirmou que a polícia tinha o nome e endereço do autor do disparo, mas mesmo assim não fez nada. Com a ajuda dos filhos, Zilá levantou a ficha criminal dos três acusados e entregou um dossiê, com fotos, endereços e nomes, às autoridades. ‘‘Eu investiguei tudo sozinha e dei mastigado para a polícia. O único que está preso nós seguramos enquanto minha filha ligou para a polícia vir buscar; do contrário nem ele estaria preso’’, afirmou Zilá.
A dona de casa disse que a prisão dos acusados é pouco e disse que eles merecem a pena de morte. O vereador Elias Vidal concordou com Zilá. ‘‘Os seus sentimentos são os nossos’’, disse Vidal, defendendo a pena capital. Pastor da mesma igreja da dona de casa, o vereador Bernardino de Oliveira (PFL) disse que se sente ’’envergonhado que em nossa cidade aconteçam crimes como este.’’

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