MÃE NATUREZA 11 mil hectares de biodiversidade
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quinta-feira, 07 de outubro de 2010
Micaela Orikasa<br> Reportagem Local 
Telêmaco Borba - Logo na entrada do Parque Ecológico da Klabin, em Telêmaco Borba (Campos Gerais), é possível se deparar com os olhos atentos dos lobos-guarás. Eles são alguns dos ilustres habitantes que vão se revelando através dos criadouros científicos. Pouco a pouco aparecem espécies silvestres como antas, quatis, lobos-guarás, emas, veados, bugius, capivaras, gatos maracajá, puma, jaguatirica, queixadas, catetos, cotias, tamanduá, furões, gaviões, jacutinga, tucanos, cobras, macacos, entre outros.
Localizado na Fazenda Monte Alegre, o parque é um lugar habitado por animais silvestres e florestas naturais da Mata de Araucária. Difícil imaginar que uma estrutura ambiental como esta, representada por 11.196 hectares, é preservada a alguns quilômetros de Londrina.
O passeio pela parque, realizado pela equipe da Folha, é ciceroneado por Sérgio Adão Filipaki, supervisor florestal há 31 anos. Serginho, como é chamado, é um homem de mil histórias. A cada passo, ele vai revelando acontecimentos que alimentam o dia a dia no parque e a paixão que tem pelo trabalho é perceptível no trato com os animais.
Ao apresentar os habitantes, Serginho os chama pelo nome. A cada bichinho, um batizado. ''Esta é a Zaira, que chegou aqui em 98 vinda de outro zoológico. Ela veio para ficar, pois não aprendeu a sobreviver na mata'', conta, ao descrever a história do lobo-guará.
Segundo ele, a forma carinhosa com os animais se deve à convivência, já que os vínculos afetivos se tornam inevitáveis e a observação constante dos animais é fator fundamental para monitorá-los.
''Temos que ter o cuidado para que o animal mantenha o comportamento natural, principalmente se ele veio da mata. É preciso ter precaução para não estressá-lo e buscar artifícios no tratamento de cada espécie'', explica Serginho, enquanto buscava coquinhos para os macacos-prego, comuns na região e vítimas de tráfico animal.
Com a ajuda do biólogo, eles aprenderam a abrir o coquinho. ''Eles quebram a casca com pedras. Isto é um exemplo de um trabalho utilizado para aliviar o estresse, pois na natureza, os macacos utilizam ferramentas para obter alimento'', comenta.
Porém, infelizmente, eles não poderão ser reintroduzidos ao ambiente natural, pois se acostumaram com a presença humana e, portanto, podem ser capturados com facilidade.
E a grande satisfação de Serginho é ter se tornado amigo de todos os animais. Tanto é que, ao escutar sua voz, os bichinhos já correm para receber cócegas, afagos e às vezes, até um dedo de prosa. ''Muitos deles só querem carinho, pois já sofreram muito'', justifica.


