Mãe não tem onde deixar filha
Mauro FrassonJuliane Godoy, com a filha Gabriele, de 2 anos: faltas no trabalhoEnquanto o governo decide como vai ser a política de investimentos para a construção de creches no Paraná, Juliane Aparecida Cândida Godoy, balconista, sofre o problema da falta de vagas. Há oito meses ela espera por uma vaga para sua filha Gabriele, de 2 anos, na creche Palmeira, no bairro Pinheirinho, em Curitiba.
Como a criança fica muitas vezes aos cuidados da avó, Roseli Cândida Godoy, 53 anos, faltar ao serviço é uma constante.Perco dias de trabalho porque não tenho com quem deixar a menina, diz Roseli. Gabriele também não pode contar com a mãe, que trabalha. Segundo Roseli, ambas ganham pouco e não têm condições de pagar alguém para cuidar da criança. O revezamento inclui eventualmente vizinhos e parentes. Deveriam dar prioridade a quem trabalha. Tem mães que passam o dia em casa e os filhos estão na creche, tomando o lugar de quem precisa mais, reclama. Segundo o Conselho Tutelar da Regional do Pinheirinho, quando essas crianças foram admitidas na creche as mães estavam trabalhando, e não há como retirá-las depois.
A coordenadora de Atenção à Criança e Adolescente da Secretaria Estadual da Criança e Adolescente, Maria de Lourdes San Roman, diz que o governo estadual vem investindo na construção de creches. Desde 1995 foram construídas 205 creches com recursos do Programa Estadual Paraná Urbano e outras 42 unidades com recursos do programa do governo federal Vale Creche.
Além disso, foram realizadas 73 ampliações e 68 reformas. Todo este trabalho resultou em mais 40.630 vagas, quase 30% do total das vagas oferecidas hoje. Também foram criados dois programas pela Secretaria Estadual da Criança e do Adolescente. Um para capacitação emergencial preparado por técnicos da secretaria em 60 municípios, e o segundo realizado em convênio com cinco universidades estaduais, que no total prepararam 1.410 funcionários.





