Sem dinheiro para levar a filha de ônibus todos os dias à escola, Odablia Fabiano, 34 anos, tem que ficar em casa cuidando da menina, que tem 5 anos, para não deixá-la sozinha. Precisando cuidar da filha, ela não consegue sair atrás de emprego, a não ser que recorra a parentes que tomem conta da garota por um tempo. E, sem emprego, falta dinheiro não só para levar a filha à escola, mas também para sustentá-la. ''O pai dela até manda uma pensão, mas os R$ 100 não dão para nada. Eu tinha umas economias, mas acabaram. Não posso esperar nem um dia mais. Vou pegar roupa para lavar, fazer qualquer coisa'', afirma.
A filha de Odablia está matriculada em uma escola no Conjunto Cafezal, porém, agora ela precisou se mudar e encontrou uma casa no Jamile Dequech, também na Zona Sul. O problema é que não existe vaga para a menina na escola do bairro.
A mãe recorreu então ao conselho tutelar da Zona Sul e à Secretaria Municipal de Educação para conseguir a transferência, mas, segundo ela, foi informada de que nada poderia ser feito. ''O Conselho Tutelar me deu um requerimento para levar à prefeitura, eu levei. Lá, me mandaram levar esse papel na escola. E na escola me disseram que não tinha vaga, e eles não podiam colocar 31 crianças em uma sala que só tem capacidade para 30, e que tinha mais outras quatro crianças na fila de espera'', conta.
Odablia revela que, desesperada, tentou fazer o percurso de sua casa até a escola no Jardim Cafezal a pé, mas que é preciso atravessar uma pedreira em uma região perigosa, além de toda a caminhada levar cerca de uma hora. ''Quero ou a transferência ou o transporte. Se eu tiver um trabalho, me viro para conseguir levar a minha filha até à escola, posso até pedir para alguém levar e buscar. Estou fazendo tudo o que está ao meu alcance. Todos os lugares para onde me mandaram ir eu fui, até a pé. Mas não tem cabimento ninguém fazer nada.''
Segundo Maria Dolores Domit, conselheira tutelar do Conselho da Zona Sul, a Constituição prevê que toda criança tem direito a estudar na escola mais próxima disponível. Nesse sentido, ''não seria um caso de falta de vagas''. ''Essa mãe precisa voltar ao Conselho para dar continuidade ao atendimento. O Estado pode oferecer o transporte, mas é preciso primeiro elaborar um relatório social para ver se realmente é necessário'', explica.
Porém, segundo a secretária de Educação do município, Carmen Baccaro Sposti, o município só pode oferecer transporte voltado à zona rural ou em casos excepcionais. ''Em relação a essa história, não existe a possibilidade de oferecermos transporte, mesmo porque a menina teria que ser acompanhada. Mas em casos de lista de espera, nós costumamos fazer uma avaliação. Se realmente houver risco, podemos até autorizar a abertura de vagas'', aponta.
Carmen informa ainda que está estudando a possibilidade de desmembrar a turma existente em duas para poder incluir todas as crianças que estão na lista de espera. ''Estamos realizando a inclusão de todas as crianças de 6 anos na pré-escola, já pensando na implementação do ensino fundamental de nove anos. Por isso, aumentou consideravelmente a procura, mas não há falta de vagas'', explica.

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