Mãe morre antes de ler carta do filho
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sábado, 25 de janeiro de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
''O que me fes estar escrevendo esta carta é a solidão que estou sentindo pois augus mezes não recebo a vizita da nossa mãe reconheço os problema que ela enfrenta e já esto com muinta saudade dela, puriço gostaria muinto de receber a vizita dela o mais breve possiveu. Você deve sabe que é muinto ruim para mim ficar num lugar desse sem nutissia da nossa mãe cazo não seja possiveu ela vim me vizitar gostaria pelomenos de receber uma carta dela mindinzendo se esta tudo bem com ela e se ela esta com saude''.
O vício no crack não deixou que Vera Lúcia Andrade, de 35 anos, lesse essa carta do filho (o nome foi preservado) que está preso há mais de oito meses na Casa de Custódia de Londrina. Antes de ler as palavras que o filho escreveu num português que denuncia a pouca escolaridade do rapaz, ela foi assassinada com quatro tiros na madrugada do último dia 23, numa viela do Jardim Leonor, na zona oeste de Londrina. A causa mais provável para a execução é um acerto de contas de algum traficante da área. A família, com medo, diz que não pretende se envolver na investigação do crime.
A carta escrita pelo filho chegou à residência da família na última sexta-feira. Ele foi preso por causa do seu envolvimento com drogas e não via a mãe há mais de quatro meses. Ele também aproveitou para pedir perdão à Vera pelas coisas erradas que tinha feito nesta vida. Nem mesmo no velório ele pode comparecer. Segundo os familiares, a Casa de Custódia disse que não havia escolta para acompanhá-lo até o Cemitério da Saudade (zona norte). ''Imagino o que ele deve estar sofrendo agora'', lamentou uma irmã, que pediu sigilo de identidade. Ela disse que soube da morte da mãe pelo rádio, quase quatro horas depois do crime.
Ao contrário do que foi informado pela polícia, os familiares de Vera dizem que ela não era prostituta. O uso do crack não deixou que Vera fosse esquecida pelos filhos e por um irmão, com o qual ela mantinha contato constante. ''Ela tinha o vício mas tinha família e não era nenhuma indigente'', disse um cunhado da vítima. ''A droga não dá futuro para ninguém. Mas que oportunidade uma pessoa pobre e sem estudo tem hoje em dia? É assim que eles vão se perdendo na vida.''


