Adriana Cristina de Oliveira, 31 anos, ignorou o grande medo que tinha de entrar na água e pulou no Ribeirão Três Bocas, Zona Sul de Londrina, para salvar a filha de 6 anos. O sacrifício não foi em vão, mas custou a vida da mãe. Ela foi a décima vítima fatal de afogamentos no Norte do Paraná em pouco mais de três meses.
Segundo testemunhas, Adriana se divertia com familiares no Parque Daissaku Ikeda, por volta das 17h30 de domingo, quando viu a filha cair no ribeirão.
''Conhecidos disseram que a mulher morria de medo de água, mas pulou atrás da filha e conseguiu salvá-la. Ela, entretanto, acabou sendo levada pela correnteza'', contou o soldado Martins, do Corpo de Bombeiros do Jardim Igapó, que participou das buscas pelo corpo da vítima, encontrado na noite de domingo. A menina passa bem.
Martins destacou que o Ribeirão Três Bocas é cheio de armadilhas, e que as pessoas devem desconfiar de trechos rasos. ''Perto de onde ocorreu o afogamento, há uma plataforma de pedra, onde a água bate até o joelho. Apenas um passo à frente, a profundidade já passa a ser de três metros'', salientou.
Embora o heroísmo de Adriana tenha poupado a vida de uma criança, os bombeiros recomendam que pessoas comuns jamais tentem realizar salvamentos sozinhas. O problema é que o indivíduo que está em perigo costuma puxar a pessoa que tenta socorrê-lo para o fundo, e muitas vezes ambos acabam se afogando. Foi o que ocorreu no último Natal, quando Paulo Leandro de Barros, 42 anos, também tentou salvar a filha de 14 anos que se afogava no Rio Tibagi, em Ibiporã (14 km a leste de Londrina). Os dois morreram.
Conforme os registros da Folha, pelo menos 10 pessoas já morreram afogadas em rios da região desde que as temperaturas começaram a subir, em outubro do ano passado. Na maioria dos casos, as vítimas participavam de tardes de lazer às margens de rios ou haviam pulado na água alcoolizadas.

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