Mãe lutava por justiça; morreu com três tiros
Mãe lutava por
justiça; morreu
com três tiros
O pesadelo de acordar e ver seus filhos mortos, vítimas de uma operação policial, continuou se estendendo desde a manhã do dia 10 de outubro de 1997 para três das quatro mães que se dizem as maiores vítimas daquela chacina.
A quarta mãe, Sônia Medina, morreu assassinada aos 33 anos com três tiros por um adolescente que criava e nunca mais foi visto. A morte aconteceu a poucos dias do Natal do ano passado e abalou ainda mais a confiança das famílias em conseguir justiça. O pessoal diz que o garoto fez o serviço a mando da polícia, acusou um dos poucos moradores que ainda vivem na favela Monsenhor Guilherme.
A Sônia era a que mais se mexia para que as pessoas não esquecessem daquela carnificina, ela não se conformava com a injustiça e com a perda do filho, lembra Valdir Perez, 34 anos, que hoje toma conta do bar da entrada da favela, que Sônia montou e viu fracassar com a remoção das 245 famílias que habitavam o local para a distante Cidade Nova, um assentamento da Prefeitura de Foz do Iguaçu para ex-favelados. Perez era o padrasto de Giovani Medina, 15 anos, a vítima mais jovem da operação policial.
Coincidência ou não, depois da morte de Sônia, as famílias perceberam uma desmobilização das entidades que lutam pelos direitos humanos, inclusive do Movimento Nacional dos Direitos Humanos, organismo que chamou a atenção da Comissão dos Direitos Humanos do Parlamento Italiano para o caso.
Eles praticamente nos abandonaram, resume Maria de Lourdes Oliveira, mãe de Eli de Oliveira, que, segundo as outras mães, é a que mais se mexe. Vou toda semana no Fórum. Converso com os promotores, o juiz. Quero que a coisa ande. Quero justiça, afirma. (L.F.M.)





