Sucursal de Foz do Iguaçu

Adenésio ZanellaExpectativaA cozinheira Marilene precisa de R$ 1.600 para saber resultado do teste de DNA que poderia colocar fim a uma luta de cinco anos à procura do filho roubado em maternidade de Matelândia, que vive com parentes de traficante, em Curitiba. No Paraná, o caso mais antigo de criança desaparecida é o de Adriano Marques da Silva. A família perdeu a criança em julho de 86, quando o menino tinha cinco anos.Há cinco anos, a cozinheira Marilene de Lima Vieira, 37 anos, tenta encontrar o filho que foi sequestrado na Maternidade Nossa Senhora do Caravaggio, em Matelândia (67 quilômetros de Foz do Iguaçu). Sua luta agora dá sinais de que chegou ao fim. Um menino encontrado com uma traficante em Curitiba pode ser o filho da cozinheira. A coleta de sangue para fazer o exame de DNA já foi feita mas Marilene não tem o dinheiro (R$ 1.600) para pagar o laboratório e saber o resultado, o que só aumenta sua angústia.
De acordo com investigações da polícia paranaense, a traficante de drogas Doralice Camargo de Oliveira Sá, presa em Curitiba, pode ter sido a pessoa responsável pelo sequestro do filho de Marilene. O bebê foi sequestrado do berçário no dia 29 de agosto de 1991, enquanto a mãe se recuperava da cesariana. Marilene não chegou a ver o menino porque ainda estava anestesiada. Ao nascer, ele pesou dois quilos e 400 gramas, tinha olhos e cabelos escuros.
Desesperada, a mãe registrou queixa na Delegacia em Foz do Iguaçu e iniciou a busca que já dura cinco anos. A prisão da traficante, através de uma denúncia anônima, renovou as esperanças de Marilene.
A polícia acredita que o menino seja o filho da cozinheira, porque a traficante, conhecida como Dora, já tem 60 anos. Agentes do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) trocaram informações com a Polícia Civil da região Oeste e constataram que Dora tinha feito pedidos de adoção de crianças em Foz do Iguaçu, Matelândia, Medianeira e São Miguel do Iguaçu justamente em agosto de 91, quando o menino desapareceu do bercário.
Ney de SouzaNa fronteira, menores estão proibidos de atravessar a Ponte da Amizade desacompanhados. Hoje, 100 menores trabalham na ponte carregando mercadorias.
Para a polícia, Dora fazia parte da quadrilha de tráfico de crianças liderada por Arlete Hilu, que hoje está presa, e ficou conhecida em todo o País pelas dezenas de bebês que mandou ilegalmente para outros países. A polícia supõe que Dora conseguiu sair da maternidade com o menino usando documentos frios. Porém, integrantes da quadrilha foram presos e Dora não teve tempo de vender a criança. Com isso, ela foi obrigada a ficar com o bebê.
Segundo policiais do Sicride, a traficante se nega a colaborar com as investigações. A cozinheira chegou a ver uma fotografia da criança e até chorou. ‘‘Este menino tem os traços da minha família, mas preciso ter certeza de que é meu filho’’, disse, emocionada.
Para não criar uma falsa expectativa, a Polícia e a Justiça não querem divulgar o nome e o endereço da criança. Marilene chegou a registrar o menino no Cartório de Registro Civil de Matelândia com o nome de Flávio. O garoto encontrado com a traficante se chama Hermano.
Enquanto não vê um desfecho para o caso, e podendo estar tão próxima do filho, Marilene se desespera. ‘‘Minhas esperanças estão no resultado do DNA’’, diz. Ela tentou conseguir a guarda do menino na Justiça até que saísse o resultado do exame, mas o recurso foi negado.
A falta de dinheiro para pagar o teste do DNA, que custa R$ 1.600, está impedindo que o desespero de Marilene chegue ao fim. Enquanto o exame não for pago, ela não saberá se o menino encontrado com a traficante é seu filho. Marilene trabalha num restaurante que atende sacoleiros em Foz do Iguaçu e ganha pouco mais de um salário mínimo por mês.
Para conseguir pagar o exame, já que o Estado não cobre exames deste tipo, ela iniciou uma campanha para arrecadar o dinheiro. Quem quiser colaborar, pode depositar qualquer quantia na conta 02672-47, agência 1373, do Bamerindus.

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