‘‘Foi o maior erro da minha vida.’’ A declaração foi feita por Janir Rodrigues Batista, de 32 anos, para revelar o arrependimento de ter dado um filho de apenas dois meses e quinze dias para um primo criá-lo.
A ‘‘doação’’ foi há mais de um ano, quando Janir estava desempregada. Agora, trabalha como zeladora de um órgão público em Cambé (13 km a oeste de Londrina) e quer o filho de volta.
‘‘Deixei o primo levar meu filho porque estava muito nervosa com aquela situação, pois não tinha condições de criá-lo’’, explica Janir, assegurando que jamais prometeu doá-lo. ‘‘Agora estou trabalhando, minha vida voltou à normalidade e quero meu filho de volta.’
O menino chama-se Marcos Roberto Batista, hoje com um ano e sete meses, e o primo é Osmar Batista dos Santos. Eles vivem em Cianorte (80 km a leste de Umuarama). Segundo Janir, Osmar é casado com Lenir Silva Santos, mas o casal não pode ter filhos.
‘‘Osmar esteve em casa quando eu ainda estava grávida. Desde aquele momento ele começou a pedir o bebê. Dizia que eu já tinha uma filha (Carla, hoje com 9 anos) e que ele daria tudo o que pudesse para o bebê. Garantia que não iria faltar amor e carinho’’, conta Janir, para explicar o assédio que sofreu do primo. ‘‘Depois de tanta insistência e das dificuldades que estava passando, acabei deixando que ele levasse meu filho.’
Ainda de acordo com Janir, depois de alguns meses, o primo entrou na Justiça com pedido de adoção. ‘‘O processo ficou parado porque Osmar não apresentou o meu endereço’’, destaca. Ela afirma que soube da ação por acaso. ‘‘Quando descobri que ele queria a doação do menino, fui ao juiz e contei toda a história’’, detalha.
Segundo o advogado de Janir, Carlos Fernandes da Veiga, Osmar requereu o arquivamento da ação, pois não teria chance de ganhar. Entretanto, Osmar obteve a guarda provisória da criança naquela ação e ingressou com outra, de destituição do pátrio poder, cumulada com adoção. ‘‘A decisão do juiz, de conceder a guarda provisória foi uma obviedade, pois é preferível uma criança ter pais adotivos a não ter nenhum’’, opina Veiga, argumentando que isso ocorreu porque o primo usou de má-fé omitindo o endereço da mãe do menino e, também, afirmando que não são parentes.
O advogado já apresentou contestação, requerendo revogação da guarda provisória. ‘‘Temos a certeza de que o juiz de Cianorte vai fazer justiça, devolvendo a guarda da criança para a mãe biológica e mantendo seu pátrio poder’’, completa Veiga.

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