Mãe lamenta o
acúmulo de funções
e a falta de tempo
Para a legião cada vez maior de mulheres que são obrigadas a ir à luta para sustentar a família, os avanços conseguidos pelos movimentos femininos estão longe de serem satisfatórios. No duro cotidiano, elas enfrentam dupla jornada de trabalho, preconceitos, são mães e pais. No caso de Celina Benedita Alves, o sonho parecia impossível. Ela provou, porém, que urbanizar uma favela em Londrina, há nove anos, era possível. Foi assim que fundou o Assentamento Santa Fé (zona leste), onde mora até hoje. ‘‘Nunca cruzei os braços. Meu desejo sempre foi ajudar os mais necessitados que eu.’’
Há quinze anos Celina Alves sustenta a casa e seus cinco filhos. Diz que o fato de ser mulher lhe deu mais garra. ‘‘Justamente pelo preconceito que enfrentamos a todo momento, temos que ter mais força ainda para lutar contra as dificuldades.’’ Para ela, as mulheres têm um grande poder nas mãos, que é o voto, mas não se deram conta disso ainda.
Celina é presidente da Associação dos Moradores do Assentamento Santa Fé, membro do Conselho Comunitário da Zona Leste e faz parte da frente de trabalho da prefeitura, reeducando adolescentes no Núcleo de Convivência do Jardim Nossa Senhora da Paz.
Para Celina, a mulher tem muito a conquistar ainda. Ela afirma que órgãos criados para cuidar das causas femininas não amparam as mulheres como deveriam. Celina lembra, por exemplo, que é cada vez maior o número de adolescentes que já são mães mas são impedidas por lei de trabalhar para sustentá-los. ‘‘Aí vão para as ruas roubar e se prostituir e ninguém faz nada.’’
Para Elena de Carvalho, a grande perda da mulher foi não ter mais tempo para fazer com prazer seu papel de mãe e dona-de-casa. ‘‘A gente ganhou independência financeira, mas não perdeu a responsabilidade de ter que administrar a casa. Só que a gente não tem mais tempo para fazer isso como gostaria.’’ Elena tem 40 anos, é viúva há nove e sempre trabalhou fora. Apesar de ter se aposentado como bancária, continuou na luta para sustentar os três filhos. Chega a cumprir uma jornada de nove horas como instrutora de treinamentos. Mesmo assim, acha que a luta vale a pena. ‘‘A mulher que enfrenta o mercado de trabalho tem uma clara diferença de postura diante da vida. O que falta, não só para a mulher mas a todo ser humano, é mais dignidade, de poder trabalhar e ter uma remuneração suficiente.’’(S. L.)

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