James Alberti
De Curitiba
Apesar de ter saído de Arroio Grande (RS), na quarta-feira passada, com uma carta precatória de busca e apreensão da filha de 10 anos, a jornalista Rita de Cassia Brasil de Paula Silveira, 33 anos, teve que voltar sozinha para casa dois dias depois. A menina está vivendo com o pai, o comerciante de madeira Carlos Maria Pizzorno Sansberro, desde o dia 17 de julho, período de férias escolares. O acordo era de que a criança ficasse com o pai até o Dia dos Pais (8 de agosto). Pizzorno, porém, não devolveu a filha. Mesmo assim a juíza Ângela Maria Machado Costa, de Irati, resolveu não acatar a determinação da Justiça gaúcha, que tem base no fato de Rita de Cassia ter a guarda permanente da filha.
A justificativa da juíza foi a de que a menina quer morar com o pai e ficou desesperada com a possibilidade de ir embora. ‘‘O desespero, o descontrole e a vontade da menina não podem ser ignorados’’, escreveu a juíza em seu despacho. Ao ser levada pela mãe e um oficial de Justiça ao Fórum da comarca, a criança entrou em estado de choque. Gritava e se debatia. Por causa disso, Ângela Maria suspendeu a carta precatória por dez dias e determinou que a menor passe por um acompanhamento psicológico. O resultado do exames será encaminhado para apreciação do juiz de Arroio Grande, André Luís de Oliveira Acunha.
Para a juíza, a criança tem sido usada como objeto de disputa entre as partes. Os pais, escreveu, ‘‘não têm bom senso e sensibilidade para abrir mão da própria vontade em prol da felicidade da menor’’.
Rita de Cassia discorda. Para ela, o comerciante convenceu a filha a morar com ele com artifícios como aulas de capoeira. A jornalista afirmou que irá aguardar o período determinado pela juíza porque recorrer a Justiça de Arroio Grande demoraria mais tempo. Conforme o delegado do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), Harry Herbert, Pizzorno responde dois processos por crimes como formação de quadrilha, falsidade ideológica e falsificação de documentos em delegacias de Curitiba. Herbert acredita que ele não possuia idoneidade para ficar com a filha.
O comerciante não foi encontrado pela Folha. Seu filho, Carlos Maria Pizzorno, disse que ele teria entrado com pedido de guarda da criança. Conforme Carlos, Rita de Cassia passa por dificuldades financeiras.

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