Uma menina de apenas três anos foi espancada pela sua própria mãe, Vanda Inês Mendes da Silva, na noite de quinta-feira em Ponta Grossa. Os primeiros exames apontam que a menina teve fratura no crânio. Além de bater na menor, as conselheiras do Conselho Tutelar acreditam que a mãe queimou as mãos da menina com ponta de cigarro. ‘‘Só o médico-legista poderá afirmar se as queimaduras foram mesmo provocadas por cigarro, mas a menina tinha várias queimaduras na mão’’, disse a conselheira Denise Serrato.
Vanda foi presa em flagrante e responderá processo por maus-tratos. A criança foi encaminhada para uma casa de abrigo, para ter sua própria segurança garantida. A intenção do Conselho Tutelar é encontrar algum parente da menina que tenha uma família estruturada para reintegrá-la. ‘‘Existe uma irmã de Vanda, que tem mais de 20 anos e pode vir a ficar com a menina’’, declarou a conselheira.
No momento em que foi feito o flagrante, Vanda e as outras oito pessoas que se encontravam em casa com a criança estavam alcoolizadas.
A violência contra crianças em Ponta Grossa é um fato que assusta.
Diariamente, o Conselho Tutelar atende cerca de 50 pessoas, além de receber uma média de 150 telefonemas. A grande maioria das denúncias e reclamações são de abandono de menores. ‘‘Como nosso sistema está começando a ser informatizado agora, não temos estatísticas de todos os atendimentos’’, explicou Denise.
Mas um levantamento feito sobre os casos novos registrados em 2000 aponta que dos 154 casos de violência física cometidos contra crianças, 133 foram praticados pelos próprios familiares, ou seja, 86% dos casos. ‘‘Para reduzir a violência precisaríamos de uma escola para pais’’, considerou a conselheira. Quando se trata de violência sexual, a estatística é parecida: 88% dos casos registrados no ano passado foram cometidos em casa.
Segundo Denise, é comum as mães chegarem no Conselho dizendo que não conseguem controlar seus filhos. ‘‘Não posso aceitar que uma mãe diga que não consegue impor sua autoridade a um filho de oito anos, sem que para isso seja preciso usar a violência.’’ Para a conselheira, quando a mãe faz essa declaração, na frente da própria criança, está dizendo ao menor que não tem competência para educá-lo, o que só piora a situação, já que a criança perde o respeito pela mãe.
Outro agravante é que o sistema público de saúde de Ponta Grossa não dispõe no momento de psicólogas para o atendimento a crianças. ‘‘Temos um ambulatório de saúde mental sem psicóloga para atendimento a crianças’’, reclama a conselheira Rose Maria Cristóforo. Segundo ela, existem crianças que estão há mais de dois anos na fila aguardando atendimento psicológico. ‘‘Quando elas conseguirem ser atendidas, certamente o problema já estará bem maior’’, lamenta Rose Maria.

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