Mãe e filho condenados por tráfico de cocaína foram resgatados de celas do 2º Distrito Policial, no início da noite de segunda-feira, por três homens armados com pistolas. Os presos libertados são Sheila Lopes Clausen e Gilberto Jean Lopes Clausen, esposa e filho de Benedito Clausen, o Dito Quati, ex-prefeito de Platina (SP). Eles foram presos em Londrina, no dia 9 de julho do ano passado, com 170 quilos de cocaína.
O resgate aconteceu em menos de cinco minutos. O trio rendeu o investigador responsável pela carceragem, Waldemar Soares, e mais três funcionárias do Centro de Triagem e Encaminhamento de Menores (Cetrem) que estavam na portaria lateral do distrito. No local, estão instaladas também celas para recolher menores infratores e funciona precariamente a delegacia especializada no setor.
Dito Quati, marido de Sheila e pai Gilberto, foi condenado a 9 anos de prisão. Mãe e filho aguardavam recurso da promotoria que pediu pena maior para a família de traficantes. O recurso está tramitando no Tribunal de Justiça de Curitiba. Dito Quati e o genro, Francisco Aurélio Bompani da Silva (condenado a 8 anos), estão presos na Prisão Provisória do Haú em Curitiba. A medida foi tomada por medida de segurança, para evitar um resgate dos dois. Dito Quati chefia uma quadrllha de traficantes espalhada por todo o Brasil.
No resgate de ontem, o detetive Waldemar foi ferido superficialmente a coronhadas e teve sua pistola levada pelo trio.
Quando as celas foram invadidas, o alarme chegou a disparar na central da 10ª Subdivisão Policial e no 5º Batalhão da Polícia Militar. Mas o reforço não chegou a tempo para deter a fuga. Os presos Geraldo Moreira, Nelson Bueno Bicudo e Renato Mendes dos Santos, também condenados por tráfico de drogas, foram obrigados a sair das celas mas não quiseram fugir. Moreira foi agredido no braço por um dos quadrilheiros e teve que ser medicado no Hospital Universitário. As demais pessoas envolvidas no resgate não foram feridas. Os presos chegaram a sair até a rua e viram quando os traficantes e seus comparsas embarcaram em um veículo, de cor vinho. Segundo eles, o automóvel parecia ser da marca Vectra.
O investigador Waldemar Soares declarou ao delegado do 2º Distrito Policial, Antonio Zuba de Oliva, que foi surpreendido na porta interna do distrito, depois que os três funcionários do Cetrem já estavam rendidos. O investigador ressalta que os quadrilheiros chegaram dizendo que queriam os ‘‘paulistas’’ e chegou ir até a cela de dois assaltantes de banco, também paulistas, para abri-la. O investigador contou que, em meio à confusão, Gilberto Clausen começou a gritar: ‘É aqui, é aqui!’’. Somente naquele momento, o policial pôde entender que ficou sabendo que a ação dos quadrilheiros era exclusivamente para resgatar Gilberto e Sheila.
Waldemar Soares, o único responsável para cuidar dos oito presos e 17 presas do 2º Distrito Policial, está há um ano na polícia. Ele teve experiência no ramo quando trabalhou na Polícia Federal. Ele saiu da PF por denúncia de extorsão, que envolvia a devolução de veículos roubados.

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