Marcos NegriniTroca de chumboComerciantes negam acusação de golpe e afirmam que policial teria pedido para comprar cocaína.Policiais do Serviço Reservado da Polícia Militar de Maringá prenderam ontem de manhã o comerciante Hélio Gonçalves Godinho, 28 anos, e a mãe dele, Maria de Lurdes Gonçalves Godinho, 50. Eles são acusados de aplicar o golpe do jogo das tampinhas em uma barraca de sucos, instalada às margens da rodovia PR-444, que liga Mandaguari a Arapongas. Junto com Hélio, os policiais também teriam encontrado 72 gramas de cocaína.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado na Delegacia de Mandaguari (33 quilômetros de Maringá), o comerciante teria oferecido a droga para os policiais que estavam à paisana. Hélio foi preso em flagrante e deverá responder processo por tráfico de drogas. O comerciante negou esta versão. Ele disse que um dos policiais frequentava a barraca há cerca de 20 dias. ‘‘Na primeira vez que ele foi na barraca, ele chegou perguntando se eu tinha um baseado e aceitou fumar maconha junto comigo. Na segunda vez, ele trouxe cocaína para nós e eu, ele e uma moça cheiramos tudo. Ontem ele voltou na barraca, me deu R$ 100,00 e pediu para que eu comprasse a droga em Arapongas. Cheguei a pedir para ele comprar, mas ele insistiu e eu fui buscar a cocaína. Quando cheguei com a droga e fui entregar para ele, ele me prendeu’’, afirmou. Hélio admitiu que é viciado mas negou ser traficante. A mãe confirmou a versão do filho.
Durante a blitz, os policiais também registraram a queixa do viajante Irineu Matias do Prado, que disse ter sido vítima do jogo de tampinhas oferecido na barraca. Prado disse que perdeu R$ 70,00 com o jogo. No jogo, os comerciantes desafiam o jogador a adivinhar sob quais das três tampinhas está uma bola de gude. Mesmo que o jogador adivinhe, os comerciantes conseguem retirar a bola rapidamente sem que a pessoa perceba e em praticamente todas as partidas, o jogador acaba perdendo.
De acordo com o delegado de Mandaguari, Zoroastro Neri do Prado Filho, o jogo é comum nas barracas às margens da rodovia, mas na maioria dos casos, as vítimas não registram queixa, exceto quando o prejuízo é alto. Apesar das denúncias, mãe e filho negam tudo. Eles disseram que o viajante pode ter se enganado. ‘‘Na rodovia tem muitas barracas que vendem sucos, e ele pode ter se confundido, porque nós nunca aplicamos este tipo de golpe na nossa barraca’’, disse Maria de Lurdes. Os nomes dos policiais não foram divulgados pela Polícia Civil de Mandaguari. Os dois policias prestaram depoimento ontem à tarde na delegacia de Mandaguari.

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