Curitiba - Mãe e filho sofreram acidente ao tentar passar no pátio de manobras da empresa ALL-Delara, empresa que administra a malha ferroviária do sul do País. O acidente foi na tarde de ontem, no Bairro Alto Boqueirão, em Curitiba. Mariléia Honório, 30 anos, e Eder Gabriel Honório dos Santos, 12 anos, tentavam passar por entre vagões quando o trem se movimentou, derrubando-os e atropelando-os. Os dois estavam ontem até o final da tarde no Centro Cirúrgico do Hospital Cajuru, com risco de amputação das pernas.
Os dois são moradores da Vila Pantanal, uma área de ocupação em Curitiba que reúne perto de 700 famílias sitiadas entre o Rio Iguaçu e o pátio da ALL. Para saírem da área ocupada e chegar aos serviços do bairro, os moradores têm que passar pelo pátio de manobras. O acidente de ontem causou a revolta dos moradores que pedem a instalação de uma passarela no local. Ontem, eles queimaram pneus e obstruíram uma rua paralela à linha do trem.
A Prefeitura de Curitiba afirma que não deverá colocar a passarela pedida. ''O pátio é muito grande e a passarela teria que ter uns 200 metros, custando muito caro e trazendo problemas de segurança para os moradores'', afirma o coordenador de regularização fundiária da Companhia de Habitação (Cohab) de Curitiba, Marco Aurélio Becker.
Segundo Becker, a prefeitura elaborou um projeto para a urbanização total da área. ''Pretendemos urbanizar e levar até lá todos os serviços necessários, como água, luz, ônibus, escolas, creches, ruas, etc'', explica o coordenador. O projeto custaria de R$ 13 milhões a R$ 15 milhões e está esperando aprovação de financiamento internacional pela Fundação para o Desenvolvimento da Bacia do Prata, com sede na Bolívia.
A área de invasão fica junto à bacia do Rio Iguaçu que, junto com o Rio Paraná, forma a bacia do Rio da Prata e por isso teria direito a receber o financiamento. ''Esperamos a aprovação do financiamento para setembro e depois o início dos trabalhos no começo do ano que vem'', diz Marco Aurélio Becker.
A analista na área de comunicação da ALL-Delara, Ana Claudia Tourinho, afirma que não tem um levantamento do total de acidentes do ano. Ela assegura que a empresa promove palestras e visitas em escolas promovendo a conscientização sobre os perigos de se atravessar os trilhos do trem. Segundo ela, desde 1997, quando houve a privatização, até o ano passado, o total de acidentes teve uma queda de 70% e ficou 41% abaixo da meta estipulada pelo Ministério dos Transporte para a empresa.

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