Um assalto ocorrido na manhã de ontem em Londrina mostrou mais uma vez a audácia das quadrilhas que estão agindo na cidade. Às 7h30, cinco homens armados e encapuzados pularam o muro alto de um casarão do Jardim Colina Verde, zona oeste de Londrina. Lúcia Maria Aversa Ribeiro, 46 anos foi dominada juntamente com a filha e a empregada. Foi a segunda vez, em três dias, que ladrões invadem uma residência próxima à sede da Polícia Federal.
Levadas ao banheiro, as vítimas foram amordaçadas com tiras de lençol, enquanto a quadrilha fazia a ''limpa''. Foram levados jóias, eletrodomésticos (aparelhos de som, computadores, filmadora, celulares) e até roupas. Meia hora depois, o grupo fugiu usando os dois carros da família para transportar os objetos. ''Encontramos os veículos abandonados no Jardim João Turquino (zona oeste). Ainda não temos pistas dos ladrões, mas temos certeza que menores estão envolvidos no caso'', afirmou o delegado do 6º Distrito Policial, Algacir Ramos. Coincidentemente, a família havia dispensado um segurança há cerca de um mês.
Acostumado a atender assaltos a residências, Ramos destacou que todos os meios devem ser usados para garantir maior segurança. ''Em depoimentos, os assaltantes dizem que evitam casas onde há cães e alarmes. Muros altos, vigias, tudo deve ser usado para evitar casos como esse.''
O problema é que as vítimas não estão mais sendo escolhidas pela classe social. Casas simples afastadas do centro também viraram alvos fáceis da violência. Entre os jardins Sabará e Novo Bandeiranres, divisa entre Londrina e Cambé, moradores e pequenos comerciantes estão assustados com a onda de roubos.
O pintor e catador de papel, Nelson Rodrigues Pesqueiro, 67, já foi vítima de dois assaltos e duas tentativas de roubo nos últimos dois meses. ''Eles invadiram meu barraco pelo teto e levaram som, dois rádios pequenos e 17 camisetas que costumo vender. Até um revólver da família foi roubado'', disse.
Para tentar evitar novos roubos, Pesqueiro colocou a mão na massa: aumentou o muro e cercou a casa de dois cômodos com arame farpado. ''Moro aqui há 33 anos e nunca vi tantos crimes. Até meu guarda-roupa tem cadeado.'' As experiências dos vizinhos comprovam o aumento da violência. Uma panificadora a poucas quadras da casa do pintor e de um módulo policial mantém um vigia ''à paisana'' durante o expediente. ''A dona decidiu fazer isso depois de ser assaltada seis vezes, em plena luz do dia'', afirmou o segurança, que pediu para não ser identificado.
O número de arrombamentos a residências, entre janeiro e maio, aumentou de 66 ocorrências em 2001 para 140 em 2002.

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