Mãe e filha lecionam em Apucaraninha
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sexta-feira, 17 de outubro de 2014
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina - A professora Jandira Felismino, de 49 anos, leciona há mais de 20 anos na Escola Estadual Indígena João Kavagtãn, na Terra Indígena Apucaraninha, em Tamarana (Região Metropolitana de Londrina). "Eu comecei a dar aulas quando a escola ainda era da Funai (Fundação Nacional do Índio). Meu marido já era professor formado e eu acabei me apaixonando pela profissão dele", destaca.
Mas conseguir cursar uma faculdade era algo muito distante. "Eu trabalhava em casa e tinha minhas filhas para cuidar, mas decidi que tinha que ter uma profissão para ajudar os meus alunos", conta.
Atualmente, ela está no 3º ano de Letras da Universidade Estadual de Londrina (UEL). No início enfrentou dificuldades, mas não se intimidou. "Quero mostrar que os índios possuem capacidade igual às pessoas de fora da reserva. Acham que a gente não tem o mesmo nível de conhecimento porque falamos de maneira diferente, mas o que sabemos é igual ao que eles sabem. Se os índios tiverem um bom estudo, possuem capacidade de se tornarem médicos. Temos que mostrar lá fora que temos valor", ressalta.
A filha dela, Damáris Felismino, de 23 anos, também está no 3º ano de Letras. Ela conta que seu objetivo não é ter um emprego melhor, mas ajudar sua comunidade. "Os alunos daqui têm muita dificuldade em aprender o português. Talvez eles tenham mais facilidade de aprender se eu explicar no meu dialeto", pontua.


