Foram enterradas na tarde de ontem, no Cemitério Jardim da Saudade, na Zona Norte de Londrina, Jacqueline da Silva Novaes de Moraes, 23 anos, e a filha dela, Ana Beatriz da Silva de Moraes, de apenas dois anos. Elas morreram em um atropelamento ocorrido no início da noite de anteontem, na Rodovia Carlos João Strass, na altura do Conjunto Habitacional Sebastião de Melo Cesar (Zona Norte), o qual também deixou ferido o marido de Jacqueline, Ricardo Santos de Moraes, 26.
Conforme os policiais militares, a família retornava de um supermercado, localizado na Avenida Saul Elkind, e foi atingida por um veículo. No momento da colisão, Jacqueline carregava a filha no colo e o marido empurrava o carrinho de bebê onde estavam as sacolas de compra.
Segundo o perito Marco Antônio Ota, do Instituto de Criminalística, os corpos da mãe e da filha foram arrastados por cerca de 20 metros do ponto de impacto com o veículo. Elas tiveram morte instantânea. Já Ricardo sofreu politraumatismo e foi encaminhado pelos socorristas para o Hospital Evangélico, onde permanece internado. O condutor do veículo fugiu sem prestar socorro às vítimas.
Ota explicou que, devido à fuga do motorista, o cálculo da velocidade com que o veículo atingiu as vítimas ficou prejudicado. ''Não dá para garantir que as marcas de frenagem encontradas na pista sejam do carro que causou o atropelamento'', comentou o perito, afirmando que mesmo que o veículo estivesse a apenas 50 quilômetros por hora, o impacto poderia ser fatal.
Ainda segundo Ota, uma guarnição clássica de farol, encontrada no local do acidente, indica que o carro era de médio a grande porte. ''Do lado em que eles estavam não tinha calçada e, apesar deles não estarem atravessando a rua, eles caminhavam beirando a pista.''
Ontem pela manhã, no velório da filha, o autônomo Dermerval Vicente de Novaes contou que foi avisado pelos policiais do atropelamento. ''Mesmo machucado, meu genro estava consciente quando foi resgatado e deu o endereço de casa'', lembrou Novaes, que teve de reconhecer os corpos da filha e da neta no Instituto Médico Legal.
Segundo ele, a filha vivia próximo ao local do acidente e todo início de mês ia ao supermercado com o marido. ''Era receber o pagamento e eles já iam fazer compra.'' Jacqueline e Ricardo estavam casados há três anos e há dois meses ela havia começado a trabalhar numa escola infantil, onde a filha também estudava. Já o esposo trabalhava como açogueiro. ''Ela era uma pessoa alegre e a minha neta também'', declarou Novaes, comentando que a filha tinha acabado de sair da casa dos pais para ir ao supermercado, no domingo. ''Respostas, agora, só com a polícia'', desabafou.
O delegado de Trânsito, Jaime de Souza Filho, recebeu os relatórios sobre o acidente no início da tarde de ontem e iniciou a investigação. O autor do atropelamento não havia sido identificado até o final da tarde de ontem.

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