Lata de creme de leite enferrujada, margarina com resíduos estranhos, iogurte com bolor, embalagem frágil que se arrebenta facilmente. A estudante Renilda Souza Passarinho, de Londrina, já enfrentou esses e outros problemas e não hesitou: ligou para o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) das empresas responsáveis. Ela é aquele tipo de consumidor que busca seus direitos e não se cansar de reclamar quando acha que foi enganada.
Renilda conta que nem sempre foi uma consumidora consciente. A vontade de ligar para reclamar surgiu há dois anos. ‘‘Hoje se eu não gosto do produto ou encontro algo errado, eu ligo mesmo.’’, afirma. Das várias reclamações, ela lembra de um iogurte que um parente comprou para dar à filha, internada em um hospital. ‘‘Abri o primeiro e via que estava embolorado’’. Ela guardou a embalagem, voltou para casa e ligou para o SAC. Resultado: a empresa repôs o produto.
Marcos NegriniFamília conscienteTopo da página, a estudante londrinense Renilda Passarinho e a filha Marcela, de 7 anos: sempre que um produto não agrada, elas acionam serviços de atendimento ao consumidor e exigem reparação. O jornalista Henri Jean Viana, de Maringá: família inteira consulta o Procon para evitar juros extorsivosEm uma outra ocasião, ela comprou sucrilhos, mas a embalagem cedia facilmente na parte inferior e, por duas vezes, ela viu todo o alimento indo ao chão. Após telefonar para a fábrica, ela recebeu a visita de um representante, que levou várias caixas do produto. ‘‘Ficamos meses comendo sucrilhos’’, lembra. ‘‘Mas as empresas não fazem mais que a obrigação em repor produtos’’, ressalta.
Como está acostumada a ligar quando encontra algo errado no produto, ela diz que dá preferência àqueles que trazem na embalagem o telefone do SAC. ‘‘É tão importante quanto verificar o prazo de validade’’, afirma. Em um ocasião, comprou um óleo e se machucou ao tentar abrir a embalagem. Como não encontrou o fone do SAC, deixou de comprar óleo daquela marca.
As reclamações de Renilda Passarinho não são feitas só por telefone. Ela conta que algumas vezes conversou com gerentes de supermercado. Certa vez ela viu uma senhora comprando salsicha, cujo prazo de validade vencia em três dias. ‘‘Olhei, chamei o gerente. Ele pediu desculpas e disse que costuma retirar o produto sete dias antes do prazo’’, relata. Não contente, ela ficou, de longe, olhando para ver se a salsicha seria mesmo recolhida.
O hábito de reclamar está influenciando a família. Marcela, 7 anos, segue o exemplo da mãe e já chegou a exigir seus direitos por duas vezes. Em uma ocasião, ela estava na escola e, ao tomar uma bebida láctea, achou o gosto estranho. Ao invés de simplesmente jogar o produto no lixo, ela pegou a embalagem e levou para casa. ‘‘Ela me disse para ligar lá e reclamar’’. A bronca deu certo: funcionários da empresa apareceram na casa da estudante para repor o produto.
Outro caso deu mais trabalho: a marca de salgadinho em cuja embalagem vinha um adesivo. ‘‘ A Marcela abriu a embalagem e não achou nada, ficou brava e disse que ia ligar para a empresa’’, conta Renilda Passarinho. Segundo ela, o telefone devia estar congestionado porque só dava sinal de ocupado. ‘‘Eu até falei para ela desistir, mas ela ficava insistindo’’. Depois de 15 dias, Marcela finalmente conseguiu falar e reclamar.
A estudante elogia a atitude da filha. Renilda comenta: ‘‘Temos que fazer valer nossos direitos para melhorar o atendimento ao consumidor e também para melhorar a qualidade dos produtos’’.

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