O choro da menina Bruna, de 8 anos, quebrou ontem à tarde a rotina da Boca Maldita, no centro de Curitiba. Funcionárias da Fundação de Assistência Social (FAS) detiveram a menina que vendia balas na rua. A mãe dela, a dona de casa Alzira Pires da Cruz, que reside em Pinhais, região metropolitana, foi acusada de explorar a própria filha.
‘‘Sou viúva, procuro serviço e não encontro, o que é que eu posso fazer?’’, defendia-se Alzira, enquanto era conduzida junto com a filha para o Conselho Tutelar de Pinhais. Alguns transeuntes reprovaram a detenção e chegaram a iniciar uma breve discussão com a coordenadora de abordagem de rua da FAS, Jacinta Guinski. Manifestantes que estavam na Boca Maldita protestando contra o governo disseram que o Conselho Tutelar deveria estar presente nestas abordagens.
Apesar de Alzira alegar que estava desempregada e passando necessidade para sustentar a família, a representante da FAS disse que nenhuma mãe pode privar os filhos ‘‘de ser criança’’. ‘‘Ela não pode ter a carga de responsabilidade para sustentar a família. Neste momento esta menina ao invés de estar na rua, poderia estar estudando’’, alegou Jacinta. Alzira não encara o fato com esta ótica. ‘‘Não estou explorando. A minha filha estava junto comigo’’, rebatia. A dona de casa diz que sustenta quatro filhos com a pensão de um salário mínimo paga pelo INSS por causa do falecimento do marido, há nove anos, por diabetes.

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