A juíza substituta da 1ª Vara Criminal, Oneide Negrão de Freitas, ouviu ontem à tarde duas testemunhas de acusação contra a dona-de-casa Maria Suely Costa Moura, que matou com um tiro a secretária Jacqueline Carneiro Lobo, 21 anos, em novembro do ano passado. Depuseram a mãe de Jacqueline, Silmara Lobo, e a advogada Elaine Cristina Gomes. Oneide substituiu o juiz Jurandyr Reis Júnior, que se sentiu impedido de atuar no caso.
O depoimento da mãe serviu apenas como informação complementar. Ela não precisou prestar o juramento de praxe das testemunhas. Por outro lado, a advogada Silmara, como testemunha juramentada de acusação, teve parte de seu depoimento anulado pela juíza, por se negar a revelar o conteúdo do diário de Jacqueline.
O crime aconteceu no início da tarde de 22 de novembro de 1996, no interior de um escritório de advocacia no centro de Londrina. O motivo principal do homicídio seria o namoro entre Jacqueline e o médico João Bento, ex-esposo de Suely. O casal estava separado há meio ano.
Os advogados de defesa Antonio Amaral e Antonio Carlos Vianna questionaram o paradeiro do diário de Jacqueline, que ainda não foi entregue pela família para constar nos autos do processo. Os advogados esperavam provar que Jacqueline e o médico João Bento tinham um romance há mais de um ano.
‘‘Com isso vamos provar que a vítima mantinha um romance com o médico há mais tempo do que a acusação tenta dizer. O envolvimento do médico com a secretária começou antes de ele estar separado legalmente de Suely. Isso perturbou a família, a esposa e as filhas tornando a vida do casal (Suely e João Bento) um verdadeiro inferno’’, afirmou Vianna.
Ele quer mostrar que sua cliente matou sob forte emoção. ‘‘Ela estava diante de uma situação de desespero por perder o esposo.’’
O advogado que irá ajudar na acusação, João dos Santos Costa Filho, alfinetou os dois advogados: ‘‘A partir de agora devemos mudar o Código Penal para os casos de homicídio. Devemos acrescentar na lei que o crime de homicídio deve caracterizar-se somente quando acompanhado de um diário. Caso contrário, vira morte acidental’’.
A mãe disse que não sabe onde está o diário de Jacqueline. Silmara Lobo afirmou que João Bento diariamente leva uma rosa ao túmulo de Jacqueline. A advogada Elaine Gomes, apesar de dizer que chegou a ler o diário, negou-se a revelar seu conteúdo alegando pricípios éticos.
A juíza Oneide Negrão de Freitas anotou a seguinte observação sobre o depoimento da advogada: ‘‘A depoente (Elaine) se nega categoricamente a dizer a verdade sobre relacionamento da vítima (com João Bento), consequentemente o depoimento da nobre testemunha não deve ser levado muito a sério. De certa forma, colocou em dúvida tudo que disse até agora’’.
O depoimento da advogada começou por volta das 14 horas e demorou mais de três horas e o depoimento da mãe, duas horas. O promotor Janderson Yassaka, que vai atuar na acusação, disse estar satisfeito com o depoimento de Silmara e de Elaine Gomes. ‘‘Elas confirmaram o que disseram no inquérito policial, e a questão da defesa encontrar o diário não deve ser relevante.’’
Ontem deveriam ser ouvidas mais três testemunhas, mas a juíza Oneide Negrão transferiu a audiência para o próximo dia 31, quando deverá ser ouvido o médico João Bento.

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