Mãe é a maior agressora
A mãe ainda é a maior agressora de crianças e adolescentes no caso de violência doméstica. Na segunda colocação, estão os pais ou a pessoa que ocupa o lugar do pai e, nesse caso, eles sempre utilizam de uma violência maior do que as mulheres. Já no caso de abusos sexuais, os companheiros da mãe são os principais agressores, seguidos pelos pais.
Do total de casos notificados pela Rede de Proteção à Criança e Adolescente, 76% dos agressores são pessoas da própria família e 20% são ligados à famílias das vítimas. No caso específico da violência física ou negligência mais de 95% dos agressores são da família. Na avaliação da médica pediatra Luci Pfeiffer, presidente do Departamento Científico de Crianças e Adolescentes da Sociedade Paranaense de Pediatria, os pais não estão preparados e não têm conhecimentos sobre cuidados com crianças.
''Seria ideal que os pais se preparassem antes de ter filhos. Há a cultura milenar de que a violência é necessária para educar, de que o adulto tem poder sobre a criança. Só que isso pode prejudicar o desenvolvimento das crianças'', afirma Luci. Segundo ela, geralmente, os pais que agridem seus filhos têm um histórico de violência na infância e que não conseguiram superar o problema. ''Então, esses distúrbios de relacionamento acabam se repetindo'', comenta.
Por isso, é fundamental que os pais tenham muita paciência com seus filhos, desde o nascimento. ''Os primeiros anos de relacionamento definem os critérios entre o certo e o errado. É preciso que os pais tenham palavra firme, sem gritos, e que estabeleçam um padrão de relacionamento'', explica a médica. Uma rotina diária também confere segurança aos pequenos. ''As crianças aprendem não só pelo que os pais dizem, mas pelo que eles fazem. As crianças observam seus pais durante todo o tempo'', afirma Luci. (F.M.)





