Mãe diz que filho deixou as aulas para trabalhar
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segunda-feira, 22 de setembro de 1997
Londrina 
Todos pertencentes à camada mais humilde da população, os pais e mães dos alunos evadidos deixaram transparecer tristeza e constrangimento durante a audiência no Fórum de Cambé. Quase todos eles estavam acompanhados de seus filhos. Depois de velho, a gente tem que passar por esta vergonha por causa de um um filho, reclama o pintor Joaquim Soares de Araújo, pai de Gláucio, 15 anos.
Desde abril que Gláucio Araújo tem faltado constantemente às aulas na Escola Estadual Antonio Romanelli, no jardim Ana Rosa (zona leste de Cambé), onde cursa a 6ª série. Ele diz que tem dificuldades para aprender, que não gosta de estudar, mas na verdade ele é um preguiçoso. Vim da zona rural para a cidade há oito anos, para meus filhos poderem estudar, e agora tenho que passar por esta humilhação, comenta o pai, lembrando que felizmente a filha Priscila, de 10 anos, está indo bem na escola.
Na frente do promotor Miguel Sogaiar, Gláucio garantiu que voltará para a escola, deixará de faltar às aulas e fará tudo direitinho daqui para a frente. O promotor disse que todos merecem um voto de confiança e que sempre vale a pena uma nova tentativa. O pai, Joaquim de Araújo, comenta: Vamos ver se agora, com o sermão que levou do promotor, o Gláucio indireita.
A viúva e vendedora de hortaliças Tereza Augusto Antonini foi à audiência para dizer ao promotor que não há mesmo jeito de seu filho, Reginaldo, voltar a estudar. Segundo ela, o filho baandonou a escola na 7ª série, em março - logo depois da morte do pai dele - para trabalhar como servente de pedreiro e ajudar no pagamento das despesas da família. Ele tem outros dois irmãos maiores, que também não estudam mais.
Depois que o Valdemar morreu, ficamos em uma situação muito difícil. Sem aposentadoria, está duro pagar a luz, água, aluguel e ainda ter que comprar comida e roupa. Por isso, não tivemos outra saída a não ser o Reginaldo sair da escola e começar a trabalhar junto com os irmãos, explicou Tereza Antonini, 49 anos, ao promotor. Lei boa, para pobre, não existe. É só para ferrar a gente. Se tivéssemos condições financeiras, é lógico que os meus filhos não teriam parado com os estudos. Mas os R$ 10,00 que o Reginaldo ganha por dia já ajudam bastante na hora de pagar as contas.
(Osmani Costa)


