Valsirene Rodrigues de Almeida diz estar arrependida de ter falado sobre a vontade de doar a criança em virtude dos problemas que está enfrentando. ‘‘Eles não podem tomar a criança de mim só porque no início da gravidez tive vontade de doar. Eu não concordo com a doação. O filho é meu’’, disse. Ela garantiu que mesmo antes de ir para o hospital já tinha certeza de que não daria a criança para ninguém.
A mãe de Valsirene, Isabel Macedo, 47 anos, disse que ficou assustada quando viu a filha voltar do hospital em prantos e sem a criança. ‘‘Estão difamando demais a nossa família. Criei dez filhos trabalhando na roça e nunca faltou nada para eles’’, lamentou Isabel.
U.R.A. foi registrado por Valsirene, ainda no hospital. A família já abriu um processo para recuperar a guarda. ‘‘Vamos lutar até o fim nem que for preciso dar o sangue para isso’’, afirmou a tia de Valsirene, Nilda Aparecida da Silva, 45 anos. Ela é vendedora autônoma e ajuda no sustento da família de Valsirene.
‘‘Eu estou pedindo a guarda provisória para mim, até que a minha sobrinha se estabilize. Eu tenho a guarda de uma criança adotiva que é cega e mora comigo há quatro anos. Sou referência para cuidar de crianças. Minha família tem três fontes de renda e tenho outros três filhos morando comigo’’, disse Nilda.
Porém, o juiz Evandro Luiz Camparoto alega que Nilda devolveu a criança que adotou assim que soube que era deficiente. ‘‘É difícil depositar confiança a partir deste fato. E se mais tarde a criança apresentar deficiência, ela vai devolver novamente?’’, indagou. (L.T.)

mockup