A diarista Terezinha Aparecida da Cruz Bandeira, 20 anos, confirmou ontem que doou sua filha em julho para um casal da Região Metropolitana de Curitiba. Em seguida, ela registrou a comunicação, falsa, de sequestro no Serviço de Investigações de Crianças Desaparecidas (Sicride) - o primeiro caso desvendado desta natureza desde a criação da unidade policial em agosto de 1995. A garota se diz arrependida e afirma que gostaria de ter a criança de volta, com quem esteve por apenas três dias.
Terezinha continua a sustentar que entregou o bebê em frente ao Hospital Evangélico Rondônia, onde eles tinham uma fazenda’’, afirma. Terezinha diz que não consegue explicar porque doou sua filha. ‘‘Acho que me deixei levar. Estava intoxicada de remédios. Fiquei seis dias internada’’, diz. Ela foi condenada no Juizado Especial Criminal por comunicação falsa de crime e teve de executar trabalhos comunitários.
Morando com uma irmã no Jardim Monte Castelo, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, Terezinha ainda tem esperanças de reaver a filha, apesar das poucas condições financeiras para sustentar seu desejo na Justiça. ‘‘Vou deixar que o juiz decida, já que não tenho condições de pagar advogado’’, assinala.
A garota ainda não sabe se o pai de sua filha já tomou conhecimento da doação. Eles se conheceram em Bocaiúva do Sul e namoraram por oito meses. Desde que ficou grávida, nunca mais teve contato com o namorado.
Sobre os dias que antecederam a doação, a diarista diz apenas que uma mulher, que se identificou como assistente social, ficou insistindo no Hospital Evangélico para que sua filha, que se chamaria Edimaira, fosse entregue para adoação.
‘‘Tinha várias mulheres no quarto, mas ela só falava comigo. Ela me mandou que a procurasse depois que tivesse alta do hospital, mas eu não fui’’, recorda. Terezinha afirma que sente falta da criança. ‘‘Não sei como ela está hoje, mas gostaria de ter ela de volta’’, ressalta. A reportagem da Folha tentou entrevistar o casal que está regularizando a adoção. A advogada deles comunicou que o casal não quer falar à imprensa.Leandro TaquesFalsidadeA diarista Terezinha Aparecida da Cruz Bandeira, 20 anos, com outra filha no colo, está tentando recuperar bebê que doou a um casal que não conhecia. Terezinha foi condenada pela Justiça por comunicação falsa de crime, uma vez que procurou a polícia para dizer que o bebê havia sido sequestradoDimitri do Valle

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